Arte e autoritarismo

Edição do mês
Arte e autoritarismo 'Libélulis Corpus' (2014), de Rodolpho Parigi; obra exposta na mostra 'Queermuseu' (Divulgação)
O que chamamos de “arte” hoje não é exatamente o que foi chamado de arte ao longo dos tempos, embora tenha com as obras do passado uma afinidade concreta. Arte na Idade Média não é o mesmo que Leonardo da Vinci, Van Gogh ou Frida Kahlo trataram como arte. Do mesmo modo, Damien Hirst ou Marina Abramovic, para ficar apenas no campo das artes visuais e da performance, são artistas muito diferentes daquilo que se convencionou chamar de artista ao longo da história da arte. A dança, a fotografia, o cinema, a literatura, a poesia, tudo se modificou; o vasto campo da arte divide espaço com a indústria cultural em nossos dias e, mesmo assim, sabemos que a arte que existiu até aqui continuará se modificando enquanto existir mundo humano. Desde que Marcel Duchamp criou sua Fontaine, a preocupação com o que é arte tornou-se um problema social. Não podemos mais falar em obra de arte sem ver nela um problema estético e metafísico ao mesmo tempo. Do mesmo modo, ética e política não ficam de lado na experiência com as obras. No entanto, muitos interpretam as artes em um sentido moralista em que a crítica necessária à obra cede lugar ao ódio contra a própria ideia de uma expressão livre. A confusão em torno da arte e das obras de arte não é estranha à própria história da arte nem ao seu conceito. Não há nada de muito surpreendente no que vivemos hoje no Brasil, tendo em vista que o cenário geral é de autoritarismo e não de democracia. Jogos de poder envolvendo as artes fazem parte da história. Mas a postura pela qual a imposição de ideia

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