Livre expressão e democracia

Livre expressão e democracia
Wagner Schwartz na performance 'La Bête' durante o 25º Festival de Teatro de Curitiba. Trabalho é inspirado em obra da série 'Bichos', de Lygia Clark (Divulgação)
  O reconhecimento de que a excelência das artes depende da liberdade oferecida por um governo democrático remonta às origens das democracias modernas no século 18. Em 1764, Johann Joachim Winckelmann, hoje considerado o pai da história da arte, afirmaria em seu livro A história da arte na antiguidade que a grandeza da arte grega só poderia ser explicada pela liberdade adquirida pelas artes no seio da democracia grega: “A independência da Grécia, originada em sua constituição e governo, deve ser considerada a causa mais proeminente de sua superioridade nas artes”. A história nos prova que Winckelmann tinha razão em sua avaliação da importância da liberdade de expressão para as artes, e não faltam exemplos dos prejuízos sofridos nos momentos em que estados democráticos foram substituídos por governos autoritários. Assim como a liberdade democrática alimenta a arte, a censura de obras e a perseguição de artistas são características de governos não democráticos e ditaduras. Quando Adolf Hitler subiu ao poder na Alemanha em 1933, ele rapidamente iniciou sua política de perseguição à arte moderna, confiscando mais de 20 mil obras de museus públicos e coleções e impondo severas restrições à produção artística da época. Tal política culminou na realização da monumental exposição de Arte degenerada organizada em Munique em 1937, na qual 740 obras confiscadas ao redor do país foram apresentadas ao público como sendo o resultado da inferioridade genética de judeus, homossexuais e imigrantes, assim como do declínio mor

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