Revisando a ditadura militar

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Revisando a ditadura militar
Castelo Branco junto a oficiais generais do Exército Brasileiro (Arte Andreia Freire/Reprodução)
  Há algumas semanas fui surpreendido com a confissão de um amigo de que havia reavaliado o julgamento que havia sustentado, até então, sobre o Golpe de 1964 e chegado à conclusão de que tinha sido enganado nesses anos todos. Na verdade, a “Revolução de 1964” (nas palavras dele) não teria sido um ato de destruição da democracia brasileira, mas, ao contrário, o único modo possível, naquele momento, para evitar que a democracia fosse destruída pelos comunistas. Que, se não tivesse acontecido o golpe militar, o Brasil hoje seria uma Cuba, uma Venezuela, talvez uma Coreia do Norte e em lugar dos 434 mortos e desaparecidos da ditadura militar, os assassinados teriam sido na casa dos milhões, como aconteceu nos regimes totalitários. Fiquei estarrecido. Antes de tudo, por ser de uma geração para a qual a ditadura militar foi uma aberração política contra a democracia, o estado de direito e as garantias individuais, além de uma monstruosidade moral, baseada em arbítrio e violência ilegítima. Por outro lado, durante 30 anos, pelo menos, não houve neste país uma única pessoa decente capaz de sustentar uma tese em defesa do valor moral, intelectual e político do período que vivemos sob o governo militar. Não incluo dentre as pessoas decentes, naturalmente, as viúvas da ditadura, as carpideiras do monturo moral e democrático que esta representou, uma vez que elas precisavam, de algum modo, justificar o seu comprometimento com o regime anterior e explicar, para a própria consciência, as mãos sujas de sangue, por participação, coniv

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