Precisamos falar sobre a direita

Edição do mês
Precisamos falar sobre a direita
Restabelecer a dignidade da direita republicana ajuda a demarcar o espaço sombrio da direita não republicana (Arte Andreia Freire)
  No Brasil da extrema polarização política, nomes não são meras designações para as coisas e pessoas, mas rótulos e armas que se podem brandir contra os adversários. No país em que as redes digitais transformaram desinformados e desinteressados por política em participantes ativos do debate público e partidários muito engajados desta ou daquela identidade política, há mais barulho do que argumentos, mais busca da treta pela treta do que desejo de esclarecimento recíproco. À medida que crescem o ativismo e a participação, diminui a paciência para produzir conceitos cuidadosos e consequentes. Aparentemente, precisamos mais de palavras de ordem para mover a massa e cimentar identidades do que de nuances e distinções que nos permitam sair da nossa zona de conforto e de raiva, pois de pressa e raiva hoje se faz a esfera pública brasileira. Estamos todos à flor da pele, constantemente furiosos, perenemente ultrajados. Uma prova desse estado de coisas é o uso da palavra “direita” no debate político hoje. Sim, eu sei que as designações “direita” e “esquerda” sempre foram torturadas ideologicamente até que confessassem aquilo que cada lado gostaria que se dissesse. Mas como o crescimento do número de pessoas e grupos que se admitem de direita se deu pari passu com o aumento da polarização política, a compreensão do que “direita” quer dizer se tornou ainda mais comprometida. Assim, temos cada vez mais pessoas reivindicando-se, de modo ostensivo e até orgulhoso, como sendo de direita, ao mesmo tempo em que a expressão vai

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