O bolsomito e a geração lacradora

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O bolsomito e a geração lacradora
'Bolsomito' é como o ultra-conservador pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro é chamado por seus apoiadores (Arte Andrei Freire)
  Alguns dias de imersão, analisando posts e comentários dos defensores de Bolsonaro, fazem vacilar qualquer convicção de que a humanidade tem jeito ou reparo. Sobretudo porque a leitura dos conteúdos nos impele à triste conclusão de que, em sua maior parte, os bolsonaristas parecem ainda piores que Bolsonaro. Ver meninas de vinte poucos anos declarando que “vacas defensoras de bandidos têm mais é que ser estupradas mesmo” balança qualquer um. Ver um garoto escrever que a deputada, a quem Bolsonaro disse não estuprar por não valer sequer um estupro, é uma vagabunda feia, e isso ser curtido por 2.500 pessoas em duas horas é para levar qualquer um a perder a fé na democracia. Os defensores de Bolsonaro agora são legião, mas o que mais estarrece é que não são simplesmente uma multidão de membros de clubes militares e de velhinhos saudosos do governo militar (nunca “ditadura”, como alguns fazem questão de dizer). Este era o perfil do defensor de Bolsonaro há alguns anos, a sua clientela política e a audiência-alvo dos seus espetáculos. Desta vez, não. As nossas análises dos que correram no último ano para formar a sua rede de apoio, repercussão e defesa indicam que esta é formada por um público novo. E, pasmem, por muitos, muitos jovens. Como pode ser isso? Se você tem trinta anos ou mais, provavelmente não entenderá em toda a sua complexidade o que quer dizer a expressão bolsomito, referida a Jair Bolsonaro. Nem conseguirá explicar as mais de 25 mil respostas no YouTube em vídeos cruzando a expressão “Bolsonaro

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