Dossiê | A leitura de Achille Mbembe no Brasil

Dossiê | A leitura de Achille Mbembe no Brasil
O filósofo camaronês Achille Mbembe, autor de 'Necropolítica' e 'Crítica da razão negra' (Arte Andreia Freire / Foto Ute Langkafel)
  A tradução de livros de Filosofia no Brasil está ligada de forma direta à maneira como certos autores e autoras foram lidos, interpretados e privilegiados nas pesquisas e na construção de saberes, ora importando cânones europeus, ora privilegiando comentadores e tendências emergentes nos países do Norte. Como consequência, nossas bibliografias costumam ignorar produções regionais na América Latina ou em países do Sul, como os da África, de onde vem o filósofo Achille Mbembe, nascido na República dos Camarões em 1957, hoje professor de História e de Ciências Políticas do Instituto Witwatersrand, em Joanesburgo, África do Sul. A chegada de Crítica da razão negra, seu principal título, às livrarias brasileiras, e do ensaio Necropolítica, ambos pela n-1 Edições, é um alento nesse momento de necessária renovação do nosso pensamento crítico. Outros títulos, como o recente Políticas da inimizade ou o seu primeiro trabalho, Na pós-colônia, podem contribuir ainda mais para a abertura a outras epistemologias. Com Mbembe e seu protagonismo no pensamento pós-colonial, ganhamos em recursos teóricos para pensar as especificidades do racismo brasileiro e o devir-negro no mundo colonizado, cujas fronteiras são cada vez mais porosas. Nesse momento em que a sociedade brasileira está no centro da disputa da renovação do capitalismo neoliberal, nos debruçamos sobre a obra de Mbembe para tomar fôlego e renovar nossas forças de resistência. Por isso, para este dossiê, convidamos o professor de Filosofia da PUC-SP Peter Pál Pelbart,

Assine a Revista Cult e
tenha acesso a conteúdos exclusivos
Assinar »

TV Cult