Mulheres negras e a força matricomunitária

Mulheres negras e a força matricomunitária
Filha de Santo encorporando a entidade Iemanjá, Ponta de Areia, Salvador (Foto: Christian Cravo)
  O poder do feminino nas tradições africanas é milenar – e essas relações de pertencimento estão envoltas por valores ancestrais e sociais, pois os poderes de gestação não são somente para gestar a vida, mas estão também nas forças dinâmicas e propulsoras que movem as relações de todo um processo do comum, que organiza e propõe perspectivas de interrelações grupais. Essas dinâmicas instrumentam a existência comunitária e colocam as mulheres como força para gerir e gestar a vida e gerir e gestar as organizações ancestrais, sociais, econômicas e políticas de um povo, assumindo o papel de matrigeradoras e matrigestoras de uma comunidade. Quando falamos em poder estamos falando de relações sociais de africanidade, estabelecidas com base em um coletivo socioancestral que baseia seus modos de vivência e experiência alicerçados nas tradições de um povo – tradições essas que buscam reforço e equilíbrio nos elementos da natureza como princípio básico de reorganização existencial. É por isso que é preciso compreender que nessas relações existe uma antropoteologia segundo a qual os seres humanos são considerados ontologicamente constituintes do sagrado, como ensina o filósofo Jayro Pereira de Jesus. Nesse contexto, o poder do feminino, constituído na natureza e no corpo das mulheres, interliga-se com a parte masculina e, nesse encontro, produz a manutenção da vida, sendo revestido por um valor sagrado. Esse valor faz parte da roda cíclica da existência, que busca o equilíbrio dinâmico, necessário para pensar o

Assine a Revista Cult e
tenha acesso a conteúdos exclusivos
Assinar »

TV Cult