A democracia é possível?

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A democracia é possível?
(Arte Andreia Freire)
  Sem dúvida, Achille Mbembe é um dos mais instigantes pensadores contemporâneos. Herdeiro de Frantz Fanon, leitor de Michel Foucault e de Gilles Deleuze, o filósofo camaronês traz uma tese original: o neoliberalismo é uma reedição da escravização negra moderna. Essa formulação pode até soar inquietante. Mas uma das teses mais interessantes de Mbembe está numa argumentação que situa radicalmente a escravização dos povos africanos como a condição de possibilidade do capitalismo moderno (liberalismo) e o advento do capitalismo contemporâneo (neoliberalismo) como um projeto de revitalização da própria escravização. Se no capitalismo moderno tínhamos dois tipos de pessoas: donas do meio de produção e trabalhadoras, no capitalismo contemporâneo existe um terceiro tipo: especuladoras do sistema financeiro (rentistas). Ora, para que esse tipo de personagem do sistema capitalista exista é preciso usar e explorar as pessoas trabalhadoras tal como se escravas fossem. Conforme Mbembe, o neoliberalismo é um momento da história da humanidade em que todos os acontecimentos passam a ter valor de mercado. Uma época em que o tempo, por mais curto que seja, passa se converter em força reprodutiva da forma-dinheiro. Mbembe argumenta que no contexto neoliberal o sujeito “está aprisionado no seu desejo”. Pois bem, trata-se daquilo que podemos denominar de um sujeito neuroeconômico, isto é, uma pessoa que precisa publicar sua vida íntima como moeda de troca no mercado da “felicidade” – o que explicaria o fenômeno das redes sociais em

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