Sujeito racial, governo dos corpos e branquitude

Sujeito racial, governo dos corpos e branquitude
(Arte Andreia Freire / Foto Yves Krier)
  Achille Mbembe possui relevante produção intelectual cuja potência se encontra na qualidade de apontar para uma estrutura fundamental do capitalismo global: o racismo. No começo do século 21, o filósofo africano publicou seu artigo Necropolítica, anunciando um projeto de análise que viria a ser detalhado nas obras Crítica da razão negra e Políticas da inimizade. Poderíamos dizer que há, no Brasil, circunstâncias favoráveis à recepção e à agenda intelectual e política dessa filosofia africana. As questões raciais, interseccionadas com os problemas de gênero e as discussões em torno dos modos da urbanidade, constituem as principais lutas políticas contemporâneas. Da mesma forma, mobilizam ampla rede de saberes e de produção do conhecimento, envolvendo as universidades, as instituições de pesquisa, mas também as ruas, os espaços com alguma autonomia discursiva e de organização, os coletivos negros e feministas, os quilombos. Os livros de Achille Mbembe versam sobre uma temática fundamental para a compreensão das relações de poder no território brasileiro. Sua leitura, contextualizando os conceitos e instrumentos analíticos à topologia local, configura-se como fundamental para o entendimento dos mecanismos de controle político e, igualmente, das lutas cotidianas. O conceito de necropolítica lança um olhar mais aguçado para a racialização das relações e práticas sociais, que implicariam a produção de inimigos. Estes teriam características fabricadas em regimes de subjetivação montados desde o processo de co

Assine a Revista Cult e
tenha acesso a conteúdos exclusivos
Assinar »

Dezembro

TV Cult