Sobrevivente, testemunha e porta-voz

Sobrevivente, testemunha e porta-voz
A filósofa e educadora Sueli Carneiro (Foto: Marcus Steinmayer)
  “Aqueles homens ali dizem que as mulheres precisam de ajuda para subir em carruagens, e devem ser carregadas para atravessar valas, e que merecem o melhor lugar onde quer que estejam. Ninguém jamais me ajudou a subir em carruagens, ou a saltar sobre poças de lama, e nunca me ofereceram melhor lugar algum! E não sou uma mulher?” Este é um excerto do famoso discurso Ain’t I a woman?, proferido em 1851 por Sojourner Truth, mulher negra norte-americana que nasceu sob o jugo da escravidão e se dedicou, depois de conquistar a liberdade, à luta abolicionista e pelos direitos das mulheres. “Sojourner Truth traduz com seu discurso as contradições e especificidades que marcam a experiência histórica de opressão e discriminação das mulheres negras no contexto das relações de gênero. Gostaria que você ilustrasse com aquele discurso a minha fala”, pediu Sueli Carneiro durante a entrevista concedida em uma das salas do Geledés Instituto da Mulher Negra, organização fundada por ela em 1988. Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo, Sueli estudou filosofia na graduação na mesma universidade. Impossível falar de militância feminista e antirracista no Brasil sem fazer referência, e prestar reverência, a Sueli. Quando procurada pela Revista CULT ela gentilmente agradeceu o convite, mas disse que preferia não dar entrevistas. “Tudo o que formulei já está escrito. Não sei se minha geração tem muito a contribuir ainda neste momento. Tenho me perguntado: o que não vimos? O que deixamos de fazer para que a situação chegass

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