Filmar a palavra

Filmar a palavra
O cineasta Jean-Luc Godard fazia de seus filmes ensaios filmados, convergindo filosofia, poesia e romance (Foto: DIvulgação)
  “Godard está entre os cineastas que têm a maior inquietação em questionar as palavras. Ele é alguém que nunca abandonou sua relação com a língua, que é a matéria-prima da literatura.” Jacques Aumont, Godard, cinema, literatura   Podemos dizer que, antes mesmo de nascer, Jean-Luc Godard estava predestinado a fazer literatura? Seu avô, Julien Monod, banqueiro, comprou e publicou algumas cartas de Paul Valéry, que frequentaria a obra do neto repetidamente. Depois, passou a ser secretário e organizador da agenda de seminários e conferências internacionais do poeta. André Gide, escritor, era amigo de um tio; Rainer Maria Rilke algumas vezes esteve na casa do avô, para ver Valéry, que havia traduzido para o alemão (versos de  As elegias de Duíno, de Rilke, foram reescritos em seis filmes de JLG: “Pois que é o Belo/ senão o grau do Terrível que ainda suportamos/ e que admiramos porque, impassível, desdenha/ destruir-nos?”). Na casa dos avós, eram recorrentes os jogos literários – Godard sempre ganhava – e as crianças só podiam se dirigir aos adultos, na mesa do almoço, se lembrassem a frase de um grande escritor sobre o assunto em pauta. Lá existiam muitos livros, e as crianças liam bastante; além disso, a mãe de Godard tinha o hábito de ler para os filhos. Os pais dele produziram à mão um pequeno livro, Alguns ensaios, com texto da mãe, desenhos do pai. Apesar de o título prometer ensaios, o livro continha poemas em prosa (exatamente como em grande parte da obra de JLG). Com 17 anos, ele também produziu um li

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