De Mikhail Bakhtin a Milan Kundera, os intérpretes de Dostoiévski

De Mikhail Bakhtin a Milan Kundera, os intérpretes de Dostoiévski
Mikhail Bakhtin (Reprodução)
  "O universo dostoievskiano de gestos exacerbados, profundezas tenebrosas e sentimentalismo agressivo era-me repulsivo", escrevia Milan Kundera para o New York Times Book Review, numa polêmica com Joseph Bródski reproduzida em 9/6/ 85 pelo suplemento Cultura de O Estado de S. Paulo. E, referindo-se à proposta, que teria recusado, de adaptar para o teatro O idiota, o romance favorito de Dostoiévski, durante a ocupação russa na Tchecoslováquia, continua: "O que me irritava em Dostoiévski era o clima de seus romances: um universo em que tudo se transforma em sentimento; por outras palavras, onde os sentimentos são promovidos à categoria de valor e de verdade." "Esta afirmação em si mesma", retruca o exilado Bródski ao racionalista Kundera, "é, no mínimo, uma distorção altamente sentimental. (...) Esses sentimentos (uma hierarquia deles) são reações a pensamentos expressos altamente racionais" - e continua explicando que Dostoiévski parte do pressuposto de que o homem é uma entidade espiritual que se debate entre o bem e o mal (essas as "profundezas tenebrosas") e que, onde Kundera vê universos de sentimento (o radicalismo emocional oriental como que opondo-se ao universo da razão ocidental), Dostoiévski vê a propensão humana ao mal, sendo, portanto, a ideia. kunderiana de equilibrar sentimento e razão, além de uma abordagem reducionista, algo condicionado, quando não redundante. "Qualquer ideia que valha tão somente um tostão é reconhecível e medida pela qualidade da resposta que suscita. Pois bem, se a literatura tem alguma fun

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