A criminalização da homofobia

A criminalização da homofobia
O que motiva a busca da proteção da Lei é o desespero ante uma humanidade que demora a se tornar melhor (Arte Andreia Freire/Revista CULT)
  O tema político de fevereiro, noves fora as histórias picantes do cabaré político nacional que não fecha nunca, foi a “criminalização da homofobia”. Este, que à primeira vista é mais uma pauta do âmbito dos costumes e não da política em sentido estrito, tem sido na verdade um tema-chave da política nacional. Afinal, quem ganhou a última eleição não foi a direita convencional, antiestatista e pró-negócios, mas os conservadores de direita, para os quais os temas morais no âmbito dos costumes são o principal problema do país, quiçá da humanidade. Pelo modo como se comportam desde a implantação do governo Bolsonaro, parece mesmo que essa gente entende o êxito eleitoral como a aquisição inquestionável de uma prerrogativa civilizacional, o direito de converter para as suas crenças e convicções toda a nação. De fato, para um Vélez Rodrigues, uma Damares Alves, um Ernesto Araújo, um Ricardo Salles, um general Heleno, não foi apenas uma vitória em uma eleição democrática que dá ao vencedor, no máximo, o direito de governar, porém dentro dos limites constitucionais e de um sistema de pesos e contrapesos, mas uma conquista, que concede ao vitorioso o direito de impor a sua fé e o seu modo de vida aos conquistados. Ou a proceder expurgos de outras visões de mundo ou marginalização de outros estilos de vida. A questão homossexual está para a reinante direita conservadora brasileira como, dadas as devidas proporções, a questão judaica esteve para a vencedora direita europeia da primeira metade do século passado,

Assine a Revista Cult e
tenha acesso a conteúdos exclusivos
Assinar »

TV Cult