A nova Alice Munro

A nova Alice Munro
A escritora Alice Munro, autora de 'As luas de Júpiter', em Nova York, 2005 (Foto Andrew Testa/Rex)
  Aos 14 anos, Alice Laidlaw não tinha dúvidas: seria escritora. Vieram o casamento com James Munro, as quatro filhas, a livraria e os afazeres domésticos – numa época em que não havia máquina de lavar louça e outras comodidades eletrônicas. Obrigada a escrever nas parcas horas vagas de seu dia, dedicava-se a narrativas curtas pela falta de tempo para desenvolver uma história. O que, de início, era uma imposição do cotidiano, com o tempo tornou-se algo natural. “Eu ainda tenho ideias para romances”, disse a escritora canadense, já mundialmente conhecida como Alice Munro, em uma entrevista. “Mas algo acontece com elas. Elas se quebram. Nunca se tornam um romance.” A vida doméstica não interferiria apernas em seu estilo, mas também no início de sua carreira. Seu primeiro livro, Dance of the happy shades (“Dança das sombras felizes”, em tradução livre; inédito no Brasil), seria publicado apenas em 1968, quando Munro já estava com 37 anos. Na década seguinte, ela começaria a ganhar notoriedade ao iniciar uma colaboração regular com a revista New Yorker. Entre os contos publicados na revista está “As luas de Júpiter”, de 1978, que daria título à coletânea publicada quatro anos depois e lançada somente agora no Brasil, pela Biblioteca Azul. A obra é considerada um marco na carreira da vencedora do Nobel de 2013. Os 11 contos que compõem o livro – a maioria com pouco mais de vinte páginas – são protagonizados por mulheres. Menos pessimista do que suas obras posteriores, nas quais suas protagonistas sofrem reve

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