Novo e fulminante
Edição do mês
Maria Fernanda Maglio, autora de "Lá é o tempo" (Renato Parada/Todavia/Divulgação)
“Em terra de cego, quem tem um olho é rei”, diz o ditado. Mas o que o ditado não diz é que ver o que não se deve, ou o que ninguém quer ver, pode ser doloroso – ou mesmo perigoso. Não é à toa que, em muitas mitologias, o ato de ter os olhos abertos está associado a conhecer o bem e o mal, como quando Adão e Eva comem do fruto proibido: “… e seus olhos se abriram, e perceberam que estavam nus”. Resultado: a expulsão do paraíso.
O paraíso de André, protagonista de 13 anos de Lá é o tempo, novo e fulminante romance de Maria Fernanda Maglio recém-lançado pela Todavia, começou a fechar suas portas quando mataram o borracheiro Salu. Ao mesmo tempo, foi como se janelas se abrissem no ar – e André visse a própria vida correr por trás daquela morte. O borracheiro Salu era seu amigo, ou melhor, quase um substituto para o pai que nunca teve. Depois do assassinato, o mundinho pacato do menino começa a sair dos eixos.
André, que sempre fora uma criança sensível e quieta, passa a ser cada vez mais arrastado por um redemoinho de emoções que não entende, mas ao qual não consegue – nem quer – resistir: desejo de vingança, desamparo, uma excitação estranha. É como se seu corpinho agisse sem sua autorização. Não é só André que é impelido por tal “lógica própria do corpo”, sobre a qual Nietzsche discorre em Assim falou Zaratustra: o corpo como “uma grande razão, uma multiplicidade com um único sentido, uma guerra e uma paz, um rebanho e um pastor”. Também os outros personagens – sobretudo o tenente Fonseca e o pers
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