Para transcender o corpo do conhecimento

Para transcender o corpo do conhecimento
Luiza Sigulem/Divulgação

 

Na introdução à edição brasileira de Estudos africanos de gênero, Sueli Carneiro e Bianca Santana escrevem: “Nossa preocupação é dupla: que a África deva ser estudada em seus próprios termos, e que o conhecimento africano deva ser fator na formulação da teoria social”. Publicada originalmente nos Estados Unidos em 2005, a coleção de artigos organizada pela socióloga nigeriana de origem iorubá Oyérònké Oyêyùmí cumpre com os critérios ali delineados ao abrir-se a uma notável polifonia de temas e abordagens dos estudos de gênero no continente africano.

Sua contribuição abrange diversas áreas do conhecimento: feminismo, teorias de gênero, espiritualidade, direitos humanos, estudos literários, sexualidade, historiografia, política contemporânea, desenvolvimento e transformação social. O último capítulo reserva ainda uma espécie de epílogo no formato de crônica, escrito por Ana Maria Gonçalves, intitulado “Osuabo”.

Além da diversidade temática, os textos são de autores de diferentes origens étnicas, nacionalidades, perspectivas teóricas e idiomas. Com tradução de Karine Ribeiro, a coletânea serve ao público geral e à academia brasileira como importante espaço de abertura de diálogos entre os conhecimentos produzidos no Brasil e na África, sem esquecer as questões levantadas pela diáspora. Inaugurando o selo Ancestralidades da editora WMF Martins Fontes, Estudos africanos de gênero é uma obra que, segundo Carneiro e Santana, rompe com a “lógica epistemicida do mercado editorial”.

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