Escrever para sobreviver: O luto autoficcional de Lilian Sais

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Escrever para sobreviver: O luto autoficcional de Lilian Sais
Lilian Sais, autora de "As regras" (Divulgação)
    Misto de romance e livro de memórias, As regras, publicado recentemente pela DBA, se insere no terreno autoficcional que tem feito sucesso com autores contemporâneos como os franceses Édouard Louis e Annie Ernaux, mas que também encontra bons exemplos nas ficções recentes de língua portuguesa de Cristovão Tezza e Tatiana Salem Levy. Em seu novo romance – parte de uma série de livros sobre o luto e a perda –, Lilian Sais mira no espaço familiar. A narradora, também chamada Lilian, constrói suas memórias a partir de lembranças da infância e da adolescência. Essas recordações são fomentadas por pequenos objetos, documentos e, principalmente, fotografias: recurso da ficção em que o narrador descreve o making of de uma imagem e traz ao leitor detalhes que o retrato não mostra, criando uma camada narrativa para além do que se vê (algo que, por exemplo, o escritor alemão W. G. Sebald faz com maestria em livros como Vertigem e Os emigrantes). “Eu e minha irmã, com quatro e seis anos de idade, sentadas lado a lado no degrau de cimento batido, os pés na terra, viramos para trás, provavelmente atendendo ao ‘olhem para cá’ enunciado por meu pai. No movimento, nossos joelhos se tocam” – é assim que a autora descreve uma das fotos que sobraram após uma das mudanças da família. A partir dessa estratégia, a trajetória de Roberto, pai da narradora, é construída. De saída, sabe-se que ele está morto, e o que se lê são memórias. “Meu pai se chamava Roberto. Este livro é um acerto entre as nossas regras”,

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