Vida, literatura e engajamento

Vida, literatura e engajamento
Graciliano na redação da Tribuna Popular, jornal do Partido Comunista Brasileiro (PCB), 1945. Da esquerda para a direita: Paulo Mota Lima, Astrogildo Pereira, Graciliano Ramos, Aidano de Couto Ferraz, Rui Facó, Dalcídio Jurandir e Álvaro Moreira (Fundo Graciliano Ramos do Arquivo IEB/USP / GR-F13-007)
    Nascido em Quebrangulo, nas Alagoas, em 27 de outubro de 1892, Graciliano Ramos de Oliveira era um dos quinze filhos de uma família de modestas posses. Quando menino, viveu entre Alagoas e Pernambuco, tendo cursado o nível médio (à época, chamado secundário) em Maceió. Entre 1910 e 1914, residiu em Palmeira dos Índios, onde o pai montara um pequeno comércio. Passou uma temporada, entre 1914 e 1915, no Rio de Janeiro, como revisor do Correio da Manhã e A Tarde. De volta a Palmeira dos Índios, estabeleceu-se na cidade. Em 1927, elegeu-se prefeito após uma série de reviravoltas, como o assassinato do seu antecessor, meses antes de completar o mandato, e a insistência dos caciques políticos da região à sua candidatura. O ex-presidente da Junta Escolar tinha virtudes que permitiriam ocupar a administração municipal. Após dois anos turbulentos, mas de consideráveis avanços, renunciou ao posto. Durante esse período, Graciliano enviou três relatórios ao governador Álvaro Paes, cuja repercussão na imprensa extrapolou os limites da região e chegou até os periódicos da então capital federal, entre eles o Jornal do Brasil. A linguagem incomum, empregada pelo prefeito de uma cidade do interior alagoano em documentos oficiais, causou perplexidade e entusiasmo em alguns leitores, entre eles, o poeta e editor Augusto Frederico Schmidt. O autor daqueles relatórios certamente teria uma história na gaveta. Tinha: era Caetés. Estima-se que desde 1925 Graciliano estivesse às voltas com a redação de seu primeiro romance – publicado em 19

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