A Teoria ‘queer’ e os desafios às molduras do olhar

A Teoria ‘queer’ e os desafios às molduras do olhar
Imagens da série Self Portrait in Drag de Andy Warhol
  Se é preciso ainda hoje, apesar das ponderações e críticas, destacar a força original da abordagem queer é porque consta em suas potencialidades propor algo além da inclusão da diversidade sexual, ou seja, propor estudos direcionados para novas identidades de gênero, formas de conjugalidade, gestões, afetos, ou práticas eróticas singulares. Ir além da visibilidade de evidências de que existem outros modos de lidar com o corpo e os prazeres e tentar des-exotizar nossa compreensão sobre estas práticas. Trata-se de expandir o caráter de atuação do gênero para além dos palcos, questionando a existência de um gênero primeiro, a partir do qual se baseariam as manufaturas exageradas ou imperfeitas (o gênero fabricado nos camarins ou nas salas de cirurgia). Questiona-se assim os padrões de perfeição e originalidade que constituem o pretenso gênero verdadeiro e a respectiva sexualidade nele presumida. É por isso que, na perspectiva queer, uma mulher trans não é menos mulher do que uma que tenha sido assim designada desde o nascimento. A diferença é política e não da ordem da natureza humana, o que nos leva a outro importante raciocínio queer: afinal, o que é o humano em um mundo de buscas e transformações que fazem da tecnologia subjetiva e corporal um diálogo com outras tecnologias criadas a partir das intervenções humanas, no tempo/espaço de sua condição?   A constituição de uma análise fílmica interessada na perspectiva queer correu paralela e em mútua sintonia com outros grandes temas e áreas dos estudos feminis

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