A Desconstrução Rafael Haddock­‑Lobo

Mais do que uma teoria do conhecimento ou uma filosofia da linguagem, a desconstrução sempre teve como sua preocupação central uma postura ética e política Em 1989, em uma palestra de abertura de um grande Colóquio na Cardozo Law School, famosa faculdade de Direito nos EUA, o filósofo franco­‑argelino Jacques Derrida parecia apresentar a fala … Continue lendo “A Desconstrução”

Derrida e a língua do outro Olgária Matos

A filosofia é a ciência primeira No ensaio “Violência e Metafísica”, dedicado a um debate com o filósofo Emmanuel Lévinas, Derrida revisita Ulisses, de Joyce, reavendo a questão: “Nós somos gregos? Nós somos judeus? Mas quem, nós? Somos primeiro judeus ou primeiro gregos?”. Se para um “judeu grego” como Walter Benjamin, o messianismo e, portanto, … Continue lendo “Derrida e a língua do outro”

A atualidade da négritude Gustavo de Andrade Durão

Conceito e Movimento formam as bases críticas para as novas gerações de filósofos africanos O encontro dos intelectuais negros fora de seus espaços geográficos gerou uma importante reunião de pensadores engajados na “questão negra”. Léopold Senghor, do Senegal, era o mais antigo do grupo, Aimé Césaire, da Martinica, o criador da palavra négritude, e Léon … Continue lendo “A atualidade da négritude”

Por uma crítica das razões mestiças Rafael Haddock-Lobo

À filosofia compete incorporar novas experiências de pensamento A recente publicação em 2013 do livro Crítica da razão negra, de Achille Mbembe, possui, entre tantos outros méritos, uma significativa importância para o pensamento ético-político contemporâneo por denunciar a vinculação estreita entre a racionalidade neutra e universal e um modo específico de se fazer filosofia, o … Continue lendo “Por uma crítica das razões mestiças”

Fora da torre de marfim – três textos de intervenção de Theodor W. Adorno Felipe Catalani

Esses três pequenos textos vão contra a imagem construída de Adorno como o filósofo da torre de marfim indiferente a toda conjuntura política e social. Sua crítica ao ativismo irrefletido e ao imperativo da práxis não significava uma ignorância em relação à necessidade de resistência política, tampouco em relação à gravidade dos fatos. Ainda hoje, … Continue lendo “Fora da torre de marfim – três textos de intervenção de Theodor W. Adorno”

Não fazer nada – com Adorno? Sílvio Rosa Filho

A certa altura de Minima moralia, Adorno trata de discernir o sentido e o valor da locução “não fazer nada”. Quem já leu o aforismo n. 100 desse livro estará lembrado de que o autor alemão recorre a expressões em língua francesa, por duas vezes: a primeira, remetendo ao título de um livro de Maupassant, … Continue lendo “Não fazer nada – com Adorno?”

Uma dialética do especulativo e do concreto Ricardo Musse

Em suas considerações metodológicas, concentradas em grande medida no livro Dialética negativa e no artigo “O ensaio como forma”, Theodor W. Adorno expõe sua teoria como um “pensamento de conteúdos”. Com essa denominação, designa a forma de conhecimento que resulta do mergulho no heterogêneo, sem as amarras e a segurança de categorias prévias. Prescinde, assim, … Continue lendo “Uma dialética do especulativo e do concreto”

Dialetica come diavolo Vladimir Safatle

Todo leitor de Thomas Mann conhece esta passagem. Ela está no capítulo 2 de Doutor Fausto e narra o momento em que o diabo procura o compositor Adrian Leverkühn para firmar com ele um pacto, mostrar-lhe o caminho da nova linguagem musical. Conversa tensa, que em dado momento é suspensa pela contemplação de uma impressionante … Continue lendo “Dialetica come diavolo”

A dialética do feminino em Theodor W. Adorno ou: “a própria mulher é já o efeito do chicote”? Deborah Christina Antunes

“As mulheres deveriam ter direito sobre seus próprios corpos”, disse Theodor W. Adorno durante uma “philosophical jam-session” com Max Horkheimer na manhã de 12 de março de 1956 que originaria uma versão contemporânea do Manifesto Comunista jamais publicada. As notas dessa sessão de improvisos filosóficos, tomadas por Gretel Adorno, podem ser encontradas no original em … Continue lendo “A dialética do feminino em Theodor W. Adorno ou: “a própria mulher é já o efeito do chicote”?”

Expressão e constelação: elementos estéticos na ‘Dialética negativa’ Rodrigo Duarte

A tarefa de ressaltar elementos estéticos na Dialética negativa se afigura como muito difícil, na medida em que, já no prefácio, Adorno declara, na conhecida designação da obra como “antissistema”, o seu distanciamento de “temas estéticos”: “Se se fala, no debate estético mais recente, de antidrama e de anti-heróis, então a dialética negativa, que se … Continue lendo “Expressão e constelação: elementos estéticos na ‘Dialética negativa’”

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