Nietzsche, um eugenista?

Nietzsche, um eugenista?
Nietzsche em 1868 e o filósofo alemão adoecido, em 1899 (Arte Andreia Freire/Reprodução)
  É inegável que uma das metas da filosofia nietzschiana é a elevação do homem. Ela aparece de várias formas no seu pensamento, ligada a concepções tais como o trágico, o gênio ou grande homem, vontade de potência, eterno retorno e transvaloração de todos os valores. Mas isso faz de Nietzsche um eugenista? O filósofo alemão defendia o controle da reprodução para manutenção de uma raça pura e a eliminação dos inferiores? Apesar de encontrarmos alguns excertos isolados que nos lembram Arthur de Gobineau, quando, por exemplo, o filósofo alemão indica como decadente “o chandala, o homem da mistureba”, em Crepúsculo dos ídolos (1888) e O anticristo (1888), há outros que nos indicam o contrário: “Onde as raças se misturam, fonte de grande cultura” (anotação privada de 1885/1886). De qualquer forma, acreditamos que o sentido da filosofia de Nietzsche aponta para a mudança, para o constante surgimento de novas possibilidades da criatividade humana, e não para a cristalização de valores de uma raça ou de uma nação. O pensamento nietzschiano não pode ser confundido com ideias racistas, antissemitas ou relativas a um arianismo ou germanismo, nem com projetos eugenistas tais como aqueles dos darwinistas sociais não-liberais (Francis Galton, por exemplo) ou dos nacional-socialistas alemães. Os ideais de uma raça pura ou de uma raça superior que deva dominar todas as outras, assim como a ideia de uma meta suprema da humanidade e mesmo de progresso, são considerados por Nietzsche estratégias de conservação de valores esg

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