“Nietzsche agiu como um álcool forte sobre Camus”

“Nietzsche agiu como um álcool forte sobre Camus”
Albert Camus no Festival de Arte Dramática de Angers (Foto: Bettman/CORBIS)
  Ganhador do Nobel de Literatura de 1957, Albert Camus é indiscutivelmente um dos maiores escritores de língua francesa do século 20. Obras como O Estrangeiro e O Mito de Sísifo funcionaram como revelações para gerações a fio. Mas seus romances, suas peças e seus ensaios também fazem dele um filósofo dos grandes, principal herdeiro do pensamento de Friedrich Nietzsche no século 20: “O filósofo alemão agiu como um álcool forte sobre Camus”, defende o polêmico pensador Michel Onfray em L’Ordre Libertaire – La Vie Philosophique d’Albert Camus (A Ordem Libertária – A Vida Filosófica de Albert Camus, Flammarion, 595 págs., 22,50 euros/R$ 58), lançado há pouco na França. Escrito de maneira apaixonada, esta “biografia das ideias” constrói sua hipótese de duas formas: relendo as obras e a correspondência do autor francês de origem argelina e, ao mesmo tempo, batendo pesado naqueles que foram seus maiores detratores em vida: o casal Sartre & Beauvoir, como Onfray se refere ironicamente. Ele afirma que Sartre privou da amizade de escritores colaboracionistas tanto para escapar da detenção durante a ocupação nazista na França quanto para arranjar emprego para Simone de Beauvoir na Rádio Vichy. Um dos eixos de A Ordem Libertária (ainda sem previsão de lançamento no Brasil) é a oposição nietzschiana entre o apolíneo e o dionisíaco, que Onfray estende a vários outros setores, sob o pano de fundo do conflito entre Sartre e Camus. São, respectivamente: Hegel x Kierkegaard, professor de filosofia x filósofo, vida das

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