Após protesto contra censura, Masp abre mostra sobre sexualidade

Após protesto contra censura, Masp abre mostra sobre sexualidade 'Dia de Ano Novo' (1835), do artista japonês Keisai Eisen, que integra a mostra 'História da sexualidade' (Reprodução)

 

Na noite desta quinta (19), grupos de artistas se reuníram em frente ao Museu de Artes de São Paulo (Masp) em protesto contra a censura e em apoio à exposição História da sexualidade, em cartaz no museu a partir desta sexta (20). A manifestação foi organizada por vários grupos, entre eles o coletivo #343Artes, que surgiu como resposta aos ataques a mostras de arte pelo país.

Na programação do Masp desde 2016 dentro do projeto “Histórias da Sexualidade”, que também inclui ciclo de palestras sobre o tema, a exposição reúne mais de 300 obras que trabalham o tema do corpo da arte pré-colombiana à arte moderna, da popular à contemporânea, da sacra à conceitual, incluindo arte africana, asiática, europeia e das Américas. A mostra foi antecedida por dois seminários internacionais sobre sexualidade realizados em setembro de 2016 e em maio de 2017.

Em dois andares, os visitantes podem ver desde os clássicos, como Egon Schiele, Renoir, Degas, Manet, Ingres, Poussin, Picasso e Gauguin (alguns pertencentes ao acervo do museu), até contemporâneos como Ana Mendieta, Rego Monteiro, Marta Minujin, Leticia Parente, Valie Export e Adriana Varejão. Desta, inclusive, foi selecionada a obra Cena de interior 2, que integrava o Queermuseu.

 

  • 'I Love To Beat You' (1969 – 1970), de Dorothy Iannon (Reprodução)
  • 'Moema' (1866), de Victor Meirelles (Reprodução)
  • 'Himeneu Travestido Assistindo a uma Dança em Honra a Príapo' (1634-1638), de Nicolas Poussin (Reprodução)
  • 'Sem Titulo', de José Antonio da Silva (Reprodução)
  • 'Angélica Acorrentada' (1859), de Jean-Auguste-Dominique Ingres (Reprodução)
  • 'Foto Experiência n. 3' (1956), de Flávio de Carvalho (de saia) (Reprodução)
  • 'Cena de Interior II' (1994), de Adriana Varejão (Reprodução)

 

O próprio museu fixou a idade mínima de 18 anos para visitação, restringindo o acesso de menores mesmo acompanhados de responsáveis, em conformidade com o guia prático de classificação indicativa do Ministério da Justiça. A medida é inédita na história do Masp e acontece pouco depois do cancelamento da mostra Queermuseu, em Porto Alegre, e dos ataques à performance La bête, no MAM, em São Paulo.

Entre os 150 nomes da coletiva há artistas europeus, africanos, asiáticos e latino-americanos. É o caso, por exemplo, do indiano Bhupen Khakhar, ou dos japoneses Keisai Eisen e Kohei Yoshiyuki. A curadoria é assinada por Adriano Pedrosa, Lilia Schwarcz, Pablo León de la Barra e Camila Bechelany. As obras estão divididas em nove eixos temáticos e não-cronológios, como “religiosidades”, “jogos sexuais”, “corpos nus” e “voyeurismos”.

Além de pinturas há também vídeos, desenhos, esculturas, fotografias e fotocópias. O objetivo da mostra, segundo o museu, é discutir sexualidade e apontar para a importância de sua diversidade em tempos que o debate entre liberdade de expressão e direitos individuais encontra-se ameaçado por manifestações violentas e embates públicos.

História da sexualidade
Onde: Masp – av. Paulista, 1.578, São Paulo – SP
Quando: até 14/2; ter. a dom. das 10h às 18h; qui. das 10h às 20h
Quanto: R$ 30 (inteira)

(1) Comentário

  1. Infelizmente se passaram os anos e o sexo ainda é tabu , de todas as conversas sempre tem uma conotação sexual como se o sexo fosse ruim e ao mesmo tempo como algo misterioso.

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