Intérprete de um Brasil só

Intérprete de um Brasil só
O sociólogo Jessé Souza (Foto: Marcus Steinmeyer/Retouch Caroll Ferreira)
  Jessé Souza, 58, se dá bem com a câmera que o fotografa em uma das salas de aula da Escola de Contas do Tribunal de Contas do Município de São Paulo. Pede para espiar a tela e fica satisfeito com o que vê. “Dizem que o bom fotógrafo é aquele que consegue sugar a sua alma, não é?”, diz, rindo, admirado com o jogo de luz e sombra capturado na imagem. É o segundo encontro do sociólogo com a reportagem da CULT. O primeiro aconteceu seis meses antes, naquele mesmo local, na época do lançamento do seu 15º livro, A elite do atraso – Da escravidão à Lava Jato (Leya). De lá pra cá, o título permaneceu na lista de mais vendidos por pelo menos vinte semanas (foram cerca de 60 mil cópias) e levou seu autor a debates e lançamentos em dezenas de cidades em todo o país. Mas assim como teve muitos leitores, a obra também encontrou uma boa porção de críticos, protagonizando o que chegou a ser chamado pelo cientista social Daniel Rodrigues Aurélio de “UFC retórico no campo da esquerda” – com direito a textões no Facebook e convites públicos para debates em universidades. “Eu sabia que ia ter oposição dentro da academia”, afirma. “Mas só tenho a dizer que, cada dia mais, eu sinto que essas ideias são muito convincentes.” Jessé recorre a elas para explicar quase todos os questionamentos desta entrevista. Segundo ele, o ódio aos pobres – principal herança da escravidão – estaria no fundo dos maiores conflitos do país, da ascensão de Bolsonaro à violência policial, da prisão de Lula à desigualdade social. Ex-

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