Chão de estrelas

Chão de estrelas
(Arte Andrea Freire)
O que se chama de concorrência é apenas a barbárie organizada de mercado   I “Desconfie de todos” era o slogan da propaganda, veiculada em 2010, que não divulgava uma campanha relacionada à segurança pública, tampouco vendia câmeras de segurança, mas tinha por objeto um chocolate – e sequer meio amargo. O olhar desconfiado do personagem que tem seu doce roubado no metrô é refletido pelo dos demais ocupantes do vagão, todos comprovadamente suspeitos, pois lhes faltava, a todos, em um dos pés, o mesmo modelo de sapato que substituíra o chocolate retirado da mão do incauto. Não fosse a completa ausência de estranhamento ante este imperativo, poder-se-ia afirmar que seria uma antecipação premonitória das surras que se seguiriam aos levantes de 2013, não praticadas contra pessoas a quem faltam sapatos, e sim voltadas àquelas que se vestem de vermelho. O sufocante ar da paranoia já estava, três anos antes, mais que posto, solidificado. Tanto os punhos prontos para o ataque quanto, do outro lado, as teorias conspiratórias a seu respeito – “coisa da CIA” – são fruto putrefeito naquele ar. II “Vou dividir com vocês a minha experiência como motorista da Uber e falar um pouquinho sobre a avaliação que o passageiro, assim como eu já fui muitas vezes, dá ao motorista, aquelas estrelinhas, e que eu achei que era uma simples avaliação no início, quando eu comecei a usar o produto, como passageiro. Depois comecei a descobrir, depois que comecei a dirigir, que ela é quase uma arma”. O “motorista 5 estrelas” que é, ao m

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