Benjamin entre filosofia e literatura

Benjamin entre filosofia e literatura
Benjamin situava a tradução literária entre os muitos gêneros limítrofes que praticou (Foto: Reprodução)
  “Ainda não sou capaz de decidir se é a filosofia ou a literatura que predominará em meus estudos universitários.”Essa conclusão do curriculum vitae redigido por Walter Benjamin em 1912 reveste, retrospectivamente, um caráter profético. A transgressão das fronteiras tradicionais, embora nunca bem demarcadas, entre literatura e filosofia caracteriza toda a obra dele. Embora tenha optado por um doutorado em filosofia sobre o conceito de crítica do primeiro romantismo alemão, ele pensava poeticamente – é o que conta não por acaso Hannah Arendt, sua amiga e correspondente. Contra a lógica argumentativa do sistema, Benjamin reivindicou o uso de recursos poéticos no interior do discurso teórico, explorando passagens entre formulações conceituais e metafóricas. Mas, se por um lado seus ensaios tendem a apagar demarcações rígidas entre filosofia e literatura, por outro a produção literária de sua maturidade mantém-se nos limiares do pensamento teórico-especulativo, explicitando a abertura da construção poética ao pensamento. Basta lembrarmos da prosa enigmática de Infância berlinense por volta de 1900, na qual o material biográfico se transforma e se deforma à luz de elementos conceituais, ou de sua menos conhecida produção de contos, atravessada por uma reflexão teórica sobre a narrativa, ou dos aforismos de Rua de mão única e da forma inclassificável de suas “imagens de pensamento”. Durante a Primeira Grande Guerra, Benjamin trabalhou na retradução da poesia de Charles Baudelaire e mais tarde traduziria também Honor

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