Walter Benjamin sobre Franz Kafka: o avesso do nada

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Walter Benjamin sobre Franz Kafka: o avesso do nada
O sociólogo, filósofo, ensaísta e crítico literário alemão Walter Benjamin (Walter Benjamin Archiv)
  Em 1934, Benjamin escreveu um longo ensaio pelos 10 anos da morte de Franz Kafka. Ensaio perplexo, mas luminoso. Para o nosso espanto, é neste texto que existe o maior número de ocorrências do substantivo Hoffnung (esperança, espoir) na obra crítica do filósofo alemão. Chegamos a essa conclusão com vários outros pesquisadores benjaminianos, em particular Erdmut Wizisla, diretor do Arquivo Adorno/Benjamin em Berlim, no congresso da Sociedade Internacional Walter Benjamin de 2022. Retomo esse surpreendente itinerário depois de 100 anos da morte do escritor. Devemos inicialmente ressaltar que a recepção crítica da obra de Kafka na época do ensaio é muito diferente da atual avalanche de livros a seu respeito. Benjamin se situa frente a duas correntes principais de interpretação: uma mais militante de esquerda e outra, dominante, teológica, com Max Brod, amigo de Kafka, e Gershom Scholem, amigo de Benjamin. A primeira poderia ser exemplificada pela leitura de Brecht (que admirava a escrita de Kafka, mas também desconfiava dessa literatura), de Lukács, alguns anos mais tarde, e de Günther Anders, cujo livro Kafka: pró e contra (Cosac & Naify, 2007) é mais conhecido no Brasil. Em 1934, no Institut d’Études Germaniques em Paris, Anders proferiu uma conferência sob o título “Teologia sem Deus”, resposta às interpretações e entrevistas elaboradas por Max Brod. A palestra constitui, segundo o próprio autor, o núcleo do seu futuro livro. É provável que Benjamin, também exilado em Paris, tenha assistido à apresentação. O liv

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