As montanhas de longe e as rochas de perto
divulgaçao
Do ponto de vista formal, Uma ilha chamada Armênia, da paulistana Cassiana Der Haroutiounian, mescla elementos do ensaísmo fotográfico com coletânea poética. Pouco a pouco, a autora entrelaça fotos de sua autoria – produzidas ao longo de 15 anos em viagens à terra de seus avôs – com poemas de sete autoras armênias contemporâneas, apresentados em português e em língua original.
Logo nas primeiras páginas, imagens de montanhas distantes vão dando lugar às rochas próximas, aos vilarejos abandonados, que ecoam ainda os impactos do genocídio praticado contra o povo armênio no começo do século 20, e a diáspora massiva decorrente dele. “Ainda que se esqueça da sua mãe, jamais se esqueça da língua materna”, apregoa o poema “Mandamento para o meu filho”, da armênia Silva Kaputikyan, presente no livro, indicando um espelhamento entre os pares imagem-poema e terra-idioma, dois elementos intimamente ligados ao ideal moderno de nação.
O objetivo dessa narrativa híbrida, como a autora indica em sua dedicatória, é “inventar uma Armênia possível” – aludida no título do livro como “ilha”, talvez também de modo irônico, por se tratar de um país sem acesso ao mar; talvez como fabulação de uma Ítaca à qual se deve rumar novamente.






