Ecos brasileiros

Ecos brasileiros
Angela Davis no Festival Latinidades, em Brasília, em 2014 (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
  Uma caricatura de Angela Davis enfeitava a parede da sala onde as mulheres do Movimento Negro Unificado (MNU) faziam suas reuniões, em Salvador, na década de 1980. Davis era, então, a principal inspiração do grupo, que naquela época não encontrava, no Brasil, referências de mulheres negras na linha de frente da luta antirracista. “Mesmo que tivéssemos figuras como Lélia Gonzalez e Beatriz Nascimento, elas não estavam na televisão, na escola, não estavam nas informações”, relata Valdecir Nascimento, militante negra e ex-integrante do MNU. “Nossas influências eram mesmo os negros norte-americanos e o movimento Black Power – e foi muito importante ter Angela Davis como referência de mulher negra apontando possibilidades para outras mulheres negras.” Em 1995, Valdecir a conheceu, em carne e osso, no Maranhão, durante a primeira de muitas viagens que Angela faria ao Brasil nos anos seguintes. Em todas as ocasiões, militantes, acadêmicos e ativistas negros de diferentes idades lotaram auditórios para ouvir o que ela tinha a dizer. Mas se a geração de Valdecir Nascimento, hoje aos 56 anos, a tinha como ícone na luta revolucionária contra o racismo, novas gerações de mulheres negras brasileiras veem em Angela, principalmente, uma referência acadêmica dedicada ao pensamento interseccional. “É ela quem vai me ajudar a pensar questões como direitos reprodutivos e aborto, por exemplo, a partir do feminismo negro, dessa dupla discriminação, racista e sexista, que sofrem as mulheres negras”, diz Emanuelle Góes, 38, feminis

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