As perversidades do Estado penal

As perversidades do Estado penal
A socióloga e vereadora Marielle Franco completaria 39 anos no dia 27 de julho (Arte Andreia Freire/Divulgação)
  A execução da vereadora Marielle Franco do PSOL, na noite de 14 de março de 2018, no bairro do Estácio, a cerca de 300 metros do prédio da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, nos leva a algumas reflexões. Em primeiro lugar, os diferentes papéis que ela ocupava por ser mulher, mãe, negra, ex-moradora da favela da Maré, lésbica, assessora parlamentar por mais de uma década e a 5ª vereadora carioca mais votada nas eleições municipais de 2016. Em 2014, Marielle defendeu sua dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal Fluminense (UFF), com bolsa da Capes. A hipótese central do trabalho é a de que as Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs), que se definem como uma política pública, reforçam o “Estado penal” integrado ao projeto neoliberal. Criado pelo sociólogo francês Loïc Wacquant, o conceito demonstra como, no regime capitalista, o Estado está a serviço do poder econômico, “garantindo” a segurança dos chamados “cidadãos de bem” ao atuar no sentido de exterminar os que estão à sua margem, ou seja, os pobres, os favelados e os negros. A dissertação UPP – A redução da favela a três letras: uma análise da política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro, de Marielle Franco, foi transformada em livro, com lançamento previsto para novembro, pela n-1 edições. Todo o dinheiro obtido com a venda dos exemplares será revertido à família da vereadora. Marielle analisou os documentos de criação das UPPs e os discursos motivadores de sua impl

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