Um chamado aos brancos

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Um chamado aos brancos
É possível aprender muito sobre a luta antirracista sem importunar nenhuma pessoa negra com demandas indevidas (Arte: Andreia Freire)
  No supermercado Extra, um segurança estrangulou Pedro Gonzaga, de 19 anos, até a morte. Eu não estava lá, as imagens em vídeo são muito limitadas, e não é possível compreender a cena toda. Ainda assim, cabe perguntar: por que ninguém pulou sobre um dos seguranças que isolava a ação? Por que ninguém jogou nada na cabeça do assassino, na tentativa de obrigá-lo a soltar o garoto? Jovens negros que, em 2016, eram executados a cada 23 minutos, vão morrer em intervalo ainda menor se não tomarmos para nós a tarefa de protegê-los. Assim como as empresas privadas de segurança, o Estado não os defende. O Estado é quem mais mata. Em 1966, nos Estados Unidos, um grupo cansado de lamentar assassinatos de negras e negros decidiu patrulhar os guetos para proteger a população da violência policial. Armados legalmente, seguiam viaturas policiais e desciam dos carros para acompanhar as abordagens. O objetivo não era atacar. Era proteger, assim como as panteras negras que só atacam humanos em caso de ameaça. O Partido dos Panteras Negras para Autodefesa, conhecido como o Partido dos Panteras Negras, chegou a ter 2 mil membros. Como podemos, no Brasil de 2019, nos inspirar nos Panteras Negras em defesa de nosso jovens? Sem armas de fogo, com organização e compromisso, conseguimos coibir a violência policial e das empresas privadas para que negras e negros possam viver? Corpos negros, mais vulneráveis, não precisam estar à frente, em autodefesa. Talvez esta seja uma boa oportunidade para brancas e brancos na luta antirracista: colocar a imagem

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