Quais os limites de uma psicologia de inspiração foucaultiana?

Quais os limites de uma psicologia de inspiração foucaultiana?
Junto de seu companheiro Daniel Defert, Foucault foi convidado a visitar um mosteiro budista, no Japão, em 1978 (Reprodução)
  É suficiente uma rápida pesquisa nos portais de revistas científicas, nas prateleiras das livrarias ou nas páginas de programas de pós-graduação para termos uma boa ideia da ressonância do pensamento de Michel Foucault no campo psi no Brasil. Talvez até mesmo uma simples caminhada nos corredores dos cursos de psicologia seja suficiente para isso. No ano em que rememoramos a sua morte, passados trinta anos, parece-me importante, no entanto, evitarmos a simples e irrefletida comemoração de tamanha e tão interessada recepção da obra do filósofo francês em terras tupiniquins. Mais importante seria, acredito, refletirmos sobre os modos de apropriação do seu pensamento nos domínios da psicologia e da psicanálise. Digo isso porque que a euforia em torno das suas ideias, e mesmo certa idolatria que o eleva à condição de grande autor de referência para a psicologia que se produz atualmente em nosso país, me parecem pouco coerentes tanto em relação à sua posição de crítica frente às práticas psicológicas e psicologizantes, quanto face ao que poderíamos descrever como seu projeto filosófico, de indagação radical dos saberes sobre o homem, seus processos de constituição histórica e sua relação com o poder ou, ainda, sobretudo no que diz respeito ao modo como desenha ao longo de sua obra, em seu estilo de fala e escrita, uma postura crítica fundada em especial na recusa aos fundamentos normativos e na interrogação permanente das formas possíveis de vida e dos limites impostos a essas modos de existir. Dessa forma, é a partir d

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