Design da subjetividade

Edição do mês
Design da subjetividade
O filósofo francês Gilles Deleuze (Helene Bamberger)
  Gilles Deleuze afirmou que a pergunta “o que você está se tornando?” é particularmente estúpida. Segundo ele, “à medida que alguém se torna, o que ele se torna muda tanto quanto ele próprio”. Tais palavras aparecem em “Uma conversa, o que é, para que serve?”, publicado em Diálogos, no contexto de uma reflexão sobre o devir (devenir), conceito ontológico que pode ser lido em um sentido existencial. Devir é o que não tem origem e nem término, não tem teleologia, ou seja, não tem função pragmática ou sentido. Ele significa a inclinação ao fora de si, a expansão do ser na direção do não ser e do não ser ao ser. O devir é um traçado na direção de espaços e tempos outros. Isso quer dizer que, aplicado ao todo do ser, é o “estar sendo” em geral que está em jogo, assim como, relativamente a cada um, se pode dizer que somos metamorfoses ambulantes, como na música de Raul Seixas. Devir é jamais imitar, diz o filósofo francês; não é fazer como, não é ajustar-se a um modelo. Por exemplo, o devir-animal do humano não é a imitação de um animal, mas uma conversa, ou ainda uma dança entre dois reinos que não se fundem, mas se movem na direção um do outro e, nesse jogo de vetores, se afetam. A noção de um devir-animal pode ser mais compreensível para quem se envolve com xamanismos, teatro, literatura, dança e artes em geral, domínios em que a alteridade animal é um lugar-comum. Talvez seja menos compreensível para aquele que Nietzsche, também um pensador do devir, chamou de “homem moderno”, no senti

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