A psicanálise e as formas do político

A psicanálise e as formas do político
Máscara, Punu, Gabão (Museu Real da África Central, Tervuren, Bélgica)
A política não precisa ser pensada apenas como reflexão estruturada sobre as formas das identidades coletivas em sua pretensa autonomia. se a psicanálise tem consequência para o pensamento político é por ela trazer uma concepção nova de conflito, de diferença e de singularidade com implicações sobre a economia de relações entre sujeito e sociedade. pois desde seu início, a psicanálise nunca se contentou em ser apenas uma clínica do sofrimento psíquico. Já a teoria social freudiana trazia elementos ainda não inteiramente explicitados quanto à economia libidinal da experiência política das sociedades modernas. seja através da procura em revelar a dinâmica pulsional do poder, a natureza das identificações que nos vinculam à autoridade, a fonte política do vínculo transferencial, as fantasias que garantem a coesão social e o mal ‑estar que nasce como saldo do processo civilizatório, a psicanálise freudiana deixava claro como só seria possível pensar o sujeito lançando luzes na dimensão social de seu sofrimento e de suas expectativas de criação social. não por acaso, Freud assinalava que a linha que separa a psicologia do indivíduo da psicologia social é uma linha tênue. esse caminho aberto por Freud será uma constante na experiência filosófica a partir de então. As reflexões da escola de Frankfurt a respeito da estrutura pulsional da regressão política, as discussões de Deleuze e Guattari sobre as relações entre desejo e capitalismo, de lyotard sobre a economia libidinal e mesmo a sensibilidade de michel Foucault aos di

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