O resgate da psicanálise

O resgate da psicanálise

Eduardo Socha

Após a anunciada crise da psicanálise, que teria ocorrido a partir dos anos 1980 com o advento de uma poderosa farmacologia aplicada, pode parecer paradoxal a presença cada vez mais marcante das idéias de Jacques Lacan em diferentes setores do pensamento contemporâneo. O fato é que Lacan tornou-se referência para pensadores fundamentais da atualidade que, mesmo não sendo psicanalistas, suspeitam de toda declaração apressada sobre a morte da psicanálise e da meta-psicologia a ela associada.

O interesse crescente por Lacan comprova-se no lançamento de textos importantes no Brasil em 2008 (com certo atraso, é preciso dizer), entre eles Mito individual do neurótico e o Seminário 16, e nas novas interpretações de sua obra por parte de pesquisadores com projetos tão diversos, da teoria do gênero de Judith Butler à ontologia de Slavoj Žižek. Nesse sentido, a declaração de Vladimir Safatle – a de que “talvez será impossível entender o início do século 21 sem passar por Lacan” – resume bem o interesse renovado pelo obra do psicanalista.

Para compreender a mecânica conceitual que engendra tal interesse, CULT convidou especialistas que, além de apresentar as principais linhas de pesquisa abertas pela obra lacaniana, oferecem um amplo panorama do que nelas vem sendo produzido atualmente. Optou-se, portanto, pela abordagem do pensamento lacaniano a partir de suas relações com a filosofia, a estética, a política. Esse entrecruzamento disciplinar fica bastante evidente, por exemplo, na interpretação da cultura pop realizada pelo filósofo esloveno Slavoj Žižek. Considerado um dos lacanianos mais proeminentes da atualidade, Žižek aceitou gentilmente nosso convite para tematizar o suposto fim da psicanálise e as vicissitudes de uma ética lacaniana. O resultado você confere neste dossiê.

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