O fundamento é a roça
Edição do mês
murilo alvesso/acervo nêgo bispo
Desde o primeiro ato de violência dos devotos da dominação, colonizadores, nesta terra estão a brotar formas de batalhar, defender a vida e seus ciclos. Os afetados pela ofensiva nutrida pelo desejo de espoliação, lucro e destruição testemunham e carregam em seus corpos os registros das batalhas dadas por aqui há muito tempo. Existir na relação com este mundo, que se quer único, é sustentar todos os dias que viver é batalhar, pois a empresa que aqui aportou estabeleceu uma guerra que nunca cessou. Mesmo diante do lastro de terror produzido pela guerra, existem aqueles que não credibilizam tal dimensão; desconfio de que desfrutam dos benefÃcios dessa empresa ou estão aquebrantados pelos seus assombros.
Em outro lugar, nem protegidos pela égide da cruz, nem anestesiados pelo quebranto posto por essa lógica, estão os que confluem na tarefa de dar lida na lavra contracolonial. Atraso o passo para firmar algo: por mais que o debate público acerca da emergência no enfrentamento, na transgressão e no reposicionamento diante da guerra e do legado colonial seja cada vez mais presente, faz-se necessário chamar atenção para os riscos de reduzi-la somente a uma retórica discursiva que flerta com a confrontação colonial meramente como fetiche conceitual.
Para abordar a questão contracolonial, com ênfase em suas dimensões estéticas e polÃticas, assumo palavras que, como ensinou Nêgo Bispo, saltam dos corpos em batalha. Essas palavras, como facões azeitados no dendê, batem para ver o tombo daqueles que ainda insistem em ser senhores daquilo que nÃ
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