Mestre do Encontro de Saberes

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Mestre do Encontro de Saberes
Nêgo Bispo na comunidade quilombola Xique-Xique, em 2010 (acervo nêgo bispo)
Conheci Antônio Bispo em 2011, em um evento da Fundação Cultural Palmares sobre quilombos, e fiquei impactado com sua lucidez e firmeza de posições. Através do Instituto de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa, do CNPq, eu havia aberto na UnB, em 2010, o Encontro de Saberes, movimento que visa incluir mestres e mestras dos saberes tradicionais (indígenas, afro-brasileiros, quilombolas, das culturas populares e dos demais povos e comunidades tradicionais) como docentes nas universidades em cursos de graduação e pós-graduação. O ideal desse movimento é operar uma transformação radical nos currículos acadêmicos para construir uma universidade pluriepistêmica, capaz de fazer justiça à diversidade de saberes do nosso país. Passados 16 anos, já são mais de 300 mestres e mestras que deram aulas sobre inúmeras áreas dos saberes tradicionais em 26 universidades – sendo quase todos eles pessoas de pouco ou nenhum letramento. Convidamos Bispo para participar, como docente, da segunda edição do Encontro de Saberes em 2011. Grande contador de histórias e pensador agudo, ele foi um mestre singular dentro do Encontro de Saberes, pela polimatia transdisciplinar de suas exposições. Versava sobre assuntos históricos, sociais, culturais, espirituais e políticos, e também sobre o mundo do trabalho, dada sua origem sindical. Unia a descrição do universo dos saberes e do modo de vida das comunidades quilombolas – como os laços familiares, os regimes de festas, as formas sincréticas de religiosidade, as atividades produtivas (caça, pesca, lavoura

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