Na gira do tempo
Edição do mês
Nêgo Bispo e Dona Edileuza (acervo nêgo bispo)
“Nem tão grande que não possa me esconder. Nem tão pequeno que não possa ser encontrado.”
Nêgo Bispo
Em 3 de dezembro de 2023, ventou, ventou, e o vento espalhou os ensinamentos de Nêgo Bispo; pareceu repentino, o mundo conhecendo um mestre, e o feitiço aconteceu.
Nos quilombos no Piauí, é tradição fazer a visita de sétimo dia aos entes que ancestralizam – o que também chamamos de “visita de cova”. No caso do papai, a visita confluiu com a celebração do seu nascimento.
Uma multidão compareceu ao Pé de Angico, no Quilombo Saco Curtume, lugar que Nêgo Bispo escolheu para ser a sua morada ancestral. A visita foi uma grande e linda confluência: geração filha e geração neta, pessoas de muitos lugares, cantigas, danças, bebidas, comidas, afetos, sentimentos. E celebramos a sua existência com o compromisso de continuar a luta pela terra, a luta quilombola.
Somos um, dois, três, vários… confluentes diversos, espalhados pelo mundo, ensinando o que aprendemos com ele e o mantendo vivo em nós.
A passagem ancestral, o nascimento de Nêgo Bispo para a ancestralidade, é uma pergunta permanente. Para ele, são as perguntas que ensinam. Aprender também é uma pergunta permanente. Quando nos perguntamos sobre esse acontecimento, continuamos a aprender. Ele continua nos ensinando a cada vez que questionamos sua passagem ancestral. E é para nos questionarmos mesmo – pois se tratando de Nêgo Bispo, não poderia ser diferente: a morte não é morte, é vida, é nascimento ancestral. É começo! Nossas vidas não têm fim!
“Como as
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