O despotismo delivery do capital

O despotismo delivery do capital
  Toda a forma de movimento da indústria moderna deriva da transformação constante de uma parte da população trabalhadora em mão de obra desempregada ou semiempregada” – já faz mais de 150 anos que Karl Marx identificou em O capital a importância do exército industrial de reserva para a acumulação capitalista, ao expor como o capital se beneficia da manutenção de trabalhadores desempregados para forçar mais e mais para baixo os salários e as condições de trabalho dos empregados, num movimento (nacional e internacional) que impõe a lei “sagrada” da oferta e demanda e, assim, nas palavras de Marx, “completa o despotismo do capital” sobre a classe trabalhadora. De lá para cá, muitos trabalhadores já ouviram essa ideia de modo bastante mais bruto: “se você não quiser fazer isso por esse valor, lá fora tem um monte de gente que quer”. Se essa é uma constante no desenvolvimento do capital, temos boas razões para investigar a forma assumida por esse movimento em nossa época, na qual o incremento da tecnologia para substituir, mediar, intensificar e depreciar a exploração de mão de obra, favorecendo sempre a acumulação do capital, aparece cada vez mais como um conjunto de facilidades e comodidades ao alcance de um clique. Refiro-me, em especial, à importância que os aplicativos de mediação de mão de obra assumiram hoje na vida de grande parte da população mundial, o que se tornou ainda mais evidente – e crítico – à sombra da atual pandemia de coronavírus. Mesmo assim, sei que para muita gente talvez soe es

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