Nós, os dispersados em fragmentos e mais

Nós, os dispersados em fragmentos e mais
(Sina Opalka/Divulgação/Ars Et Vita)
Você deu em pagamento o meu país é a primeira publicação brasileira dedicada à obra de Ghayath Almadhoun, poeta palestino nascido em Damasco. Nos 31 poemas que integram a antologia, tomamos contato com uma produção que abrange dez anos da vida do autor, desde a publicação de Não posso estar presente (2014) até um de seus mais recentes trabalhos, Eu te trouxe uma mão decepada (2024). Ao longo das pouco mais de 150 páginas que compõem o volume publicado pela Ars et Vita, Almadhoun encarna em sua escrita a questão: como fazer poesia em meio ao horror? A resposta vem em “A cidade”, onde ele declara: “Todos os meus poemas que cravei na carne dos teus dias como uma faca enferrujada não são meus poemas, eu os roubei dos esquecidos e dos que perderam a memória, eu os recolhi das camas brancas dos hospitais e dos gemidos dos torturados”. Ao forçar-nos a encarar uma das questões mais urgentes de nosso tempo, o genocídio palestino, Almadhoun também busca dar forma às experiências fragmentárias vividas tanto nas zonas de conflito quanto em países de diáspora, a partir do olhar do refugiado, como é o do próprio autor, que hoje vive e trabalha entre Berlim e Estocolmo. Com olhar atento à contemporaneidade, ele diz em “Ode à tristeza”: “Nós te amamos, Europa, e pagamos impostos como os homens brancos, e toleramos o teu humor variável que se assemelha ao teu clima”. Já em “Nós”, poema que abre a coletânea, o autor fala em nome dos “dispersados em fragmentos” quando pede desculpas ao mundo europeu e aos soldados israelenses “

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