Morre, aos 69 anos, a escritora e ilustradora Elvira Vigna

Morre, aos 69 anos, a escritora e ilustradora Elvira Vigna A escritora e ilustradora Elvira Vigna (Foto Renato Parada / Divulgação)

 

Morreu em São Paulo, aos 69 anos, a escritora e ilustradora Elvira Vigna. Segundo nota de falecimento publicada na página do Facebook da autora, ela havia sido diagnosticada em 2012 com um carcinoma micropapilar invasivo (um tipo de câncer de mama), mas não quis que a doença viesse a público para que sua vida profissional não fosse prejudicada.

“Esperamos que a sua produtividade sirva de exemplo e estímulo para que todos aqueles que passem por dificuldades não abram mão de quem são, do que fazem e do que querem fazer”, diz a nota.

Formada em literatura pela Universidade de Nancy, na França, mestre em comunicação pela UFRJ, Elvira lançou seu último romance, ‘Como se estivéssemos em palimpsestos de putas’, em 2016, pela Companhia das Letras, e recebeu boas críticas pela obra.

Foram dez livros publicados, ao todo – sete desde que descobriu a doença. O primeiro romance, ‘Sete anos e um dia’, sobre um grupo de amigos no final da ditadura militar brasileira, saiu em 1988. O segundo, ‘O assassinato de bebê‘, viria só nove anos depois.

A partir daí, não cessou de escrever. Além de contos e textos publicados nos maiores jornais do país, publicou os romances ‘A um passo’ (2004), ‘Deixei ele lá e vim’ (2006) e ‘Nada a dizer’ (2010) – pelo qual venceu o prêmio de ficção da Academia Brasileira de Letras.

Ao longo de sua trajetória, venceu quatro prêmios na literatura e outros dois na ilustração. No ano passado, ‘Como se estivéssemos em palimpsesto de putas‘ venceu o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de Melhor Romance.

Além da produção literária, Vigna também esteve em contato com outros autores. Por cinco anos, manteve uma editora chamada Bonde (MAIS) e a revista de literatura marginal A Pomba. Já em 2016, a escritora abriu uma nova editora, A Uva Limão, especializada em textos acadêmicos.

Na CULT, Ronaldo Bressane escreveu que Vigna tinha um “estilo tão marcante que faz com que o leitor passe a ver o mundo com a sintaxe e a perspectiva do livro que acabou de ler”. “Elvira Vigna não quer ser agradável. Ela quer enfiar um cisco no seu olho.”

A escritora colaborou recentemente com a CULT, indicando a leitura do livro ‘Carcaça’ (7Letras), de Josoaldo Lima Rêgo. Segundo a nota de falecimento, Vigna deixou três livros prontos, a serem publicados.

Deixe o seu comentário

Novembro

TV Cult