Feminismo e democracia

Feminismo e democracia

O feminismo brasileiro cresce em todos os espaços sociais. Grupos e coletivos enriquecem o cenário da luta pelos direitos das mulheres e de todas as minorias. Raça e classe social são questões que vem contribuir com o avanço das práticas feministas.

Podemos falar de uma pluralidade impressionante de propostas e posturas no âmbito feminista que inclui mulheres de todas as idades, raças, crenças, escolaridades e também sexualidades. Isso estimula o diálogo social entre pessoas e instituições, entre movimentos e, assim, o clima democrático.

Fred One Licht

Olhando para a história do feminismo, podemos dizer sem exagero que ele é a prova mais forte da intenção de democracia de uma país. Lembremos o caso da França, do Uruguai, de Portugal, do Canadá, para citar exemplos de países em que o feminismo conquistou direitos concretos para as mulheres, tais como o direito ao aborto. (Sobre o aborto legal no mundo: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/conteudo_283054.shtml?func=2 e também o mapa: http://www.aborto.com.br/mapa/)

O feminismo é uma política, mas é, sobretudo, uma ética que defende a singularidade das pessoas. O feminismo é a própria democracia, mas uma democracia profunda que começa se colocando a questão dos direitos das mulheres e avança pondo em questão os direitos de todos os que sofrem sob jugos diversos em cenários em que o poder não passa de violência.

O nome feminismo

O nome “feminismo” ainda assusta muita gente.

O termo feminismo é um desses nomes que sofreram com a construção de discursos desabonatórios, discursos que servem ao poder e que, para sustentá-lo criam monstros a cada momento.

É a velha misoginia, o ódio às mulheres, que sempre precisou fazer do feminismo uma espécie de erro, de monstruosidade. Quem estudar a história da misoginia vai descobrir uma das mais interessantes e perigosas estratégias do poder: criar a figura do mal pelo discurso. Refiro-me ao ato de falar mal mesmo, de discursar contra um outro qualquer que se quer destruir, de fazer fofoca, de criar a maledicência e com ela a figura do “mal”. A história das mulheres escrita pelos homens, da mitologia antiga à moderna, é a história da maledicência contra as mulheres. Lembremos das histórias de Pandora, de Lilith, de Eva…

O feminismo nasce nesse cenário como contra-discurso. Mas continua sendo, para os que estudaram pouco e se mantém na arrogância própria do ignorante, uma dessas figuras do mal justamente porque combate a construção do discurso do “mal”.

Para entender o que se passa ao nível dos discursos, antes de mais nada, é preciso aprender a desconfiar do que é dito nos meios de comunicação de massa. A boca do povo sempre foi muito controlada pelo Estado e pela Igreja e continua sendo pelos meios de comunicação. É bom lembrar que as vozes nunca são neutras. Ou defendem a liberdade ou defendem interesses. O feminismo é a defesa da liberdade das mulheres. Por que os direitos das mulheres estão intimamente ligados à ideia de liberdade em geral. Não são redutíveis a interesses de um grupo. São mais complexos e urgentes do que interesses porque implicam a realização da democracia.

Patty Smith

Para muitas pessoas, o termo feminismo é em si mesmo um erro. É como se, ao afirmar-se feminista, uma mulher, ou uma pessoa em geral, estivesse indo contra um estado natural das coisas que é tratado pelo discurso como sendo “a verdade”. Portanto, as mulheres feministas estariam indo contra uma verdade que não pode ser negada sob pena de morte, no caso, a verdade do poder patriarcal que ainda está em vigência entre nós. Essa verdade patriarcal é poder de morte, violência simbólica e física, contra as mulheres. O feminismo é a luta contra esse poder.

Contra isso podemos dizer que o poder que historicamente esteve na mão dos homens foi transformado em violência. Trata-se de um problema histórico a ser corrigido no presente. O feminismo é essa correção. Por isso, é importante dizer que somos feministas.

O mundo precisa de mais feminismo.

O feminismo é a prática aberta a quem quiser ser feminista. São bem vindas todas as que quiserem se manifestar em seu nome na luta por democracia, em solidariedade àquelas que, no passado, lutaram e morreram para que tenhamos liberdade hoje, em solidariedade às que ainda não tem liberdade e sofrem sob o terror da dominação masculina e da opressão de gênero, raça, classe social e sexualidade.

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