Existe uma sociologia weberiana?

Existe uma sociologia weberiana?
Max Weber, conhecido como um dos fundadores da sociologia moderna (Foto: Reprodução)


Embora seja usual falar-se de uma sociologia “weberiana” e de sociólogos “weberianos”, ou de uma escola “weberiana”, não podemos aceitar rigorosamente essas classificações, a não ser quando se pretende demarcar uma tendência dominante, em certos autores e obras, da influência de conceitos e perspectivas desenvolvidos nos diferentes trabalhos de Max Weber. Mesmo assim, não há nada, nesse caso, comparável, por exemplo, seja à apropriação e desenvolvimento das teorias de Marx no marxismo, seja à apropriação e desenvolvimento das teorias de Freud na psicanálise. Não há nada na obra de Weber que permita desenvolvimento similar ao do marxismo e ao da psicanálise, e isso por duas razões.

Em primeiro lugar, Weber não propõe uma revolução científica ou um deslocamento teórico fundamental, um novo paradigma científico, e nem foram esses os efeitos epistemológicos de sua obra, como, ao contrário, parece acontecer com as obras de Marx e de Freud (tal, pelo menos, como reivindicam marxistas e psicanalistas). O próprio Weber condenava, no marxismo e na psicanálise, sua unilateralidade radical, que os lançava, em seu entender, na metafísica e na disputa de pressupostos últimos aos quais a ciência não poderia responder.

Em segundo lugar, Weber reivindica a tradição acadêmica e científica da pesquisa histórico-social de seu tempo, mesmo quando de sua contribuição original para essa ciência, a sociologia, que também se desenvolve, independentemente de sua obra, e com base em outros paradigmas, em outros lugares. Ainda que proponha métodos e conceitos suficientemente abrangentes e rigorosos para entronizá-lo como fundador de uma escola, sua obra não produziu influência dessa maneira, mas de outra, mais difusa, e também mais coerente com o sentido que a distinguia das demais.

Weber não formou uma escola, como aconteceu com Marx e Freud, e mesmo com Durkheim. Não teve discípulos diretos, com os quais precisasse retificar constantemente o desenvolvimento de seu próprio paradigma. No entanto, é indubitável que no desenvolvimento da sociologia, tal como vem se realizando desde o início do século, a contribuição weberiana é decisiva, fundamental mesmo, por demarcar um de seus principais paradigmas. Curiosamente, embora Durkheim tenha uma posição análoga à de Weber por ter também contribuído com outro paradigma fundamental, e ao mesmo tempo divergente do dele, não é usual falar atualmente de sociólogos “durkheimianos” ou de uma sociologia “durkheimiana”, e isso quando se sabe que a influência de Durkheim foi mais sistemática que a de Weber, a ponto de ter existido uma “escola durkheimiana” na França, o que nunca ocorreu com Weber, nem mesmo na Alemanha.

A influência da obra de Weber, embora crescente ainda quando ele estava vivo, não era do tipo que possibilitasse uma escola. Mesmo essa influência foi drasticamente interrompida, na Alemanha, 12 anos após sua morte, pela chegada dos nazistas ao poder. Suas principais obras, com exceção de A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, permaneceram esgotadas e sem reedições durante quase 20 anos, e em grande parte espalhadas em revistas e periódicos de pouco acesso ao público não germânico. Apesar disso, sua influência foi decisiva em obras que foram publicadas antes da Segunda Guerra, algumas das quais vieram conformar grande parte do quadro atual da sociologia. Entre essas obras, basta citar Ideologia e Utopia, de Karl Mannheim; História e Consciência de Classe, de Georg Lukács; Estrutura da Ação Social, de Talcott Parsons; e Fenomenologia do Mundo Social, de Alfred Schutz.

O weberianismo como contrassenso

Desde aqui já se pode notar a abrangência e o tipo de influência que a obra de Weber começará a exercer. Nenhum desses trabalhos é “weberiano” e, no entanto, todos estão numa relação fundamental com a obra de Weber; em todos eles, também, a posição weberiana é posta em situação de interlocução, de diálogo com outros pensadores-chave; Lukács e Mannheim, de modo diferente e pesos desiguais, põem Weber em relação com Marx, e daí destilam suas contribuições originais; Parsons põe Weber em relação com Durkheim e Pareto; Shutz coloca Weber em relação com Husserl.

Para cada uma dessas posições, enfatiza-se um aspecto da obra de Weber. Pode-se dizer que são Webers diferentes os que saem dessas posições: um Weber subsumido no marxismo hegeliano de Lukács; um Weber que retifica e modera Marx, na sociologia do conhecimento de Mannheim; um Weber fenomenológico, intuicionista, neoidealista, na “síntese” de Shutz. No campo substantivo da influência, a abrangência e a variedade não são menores. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo é o rosto mais badalado da influência, mas não é nem a principal nem a mais duradoura, apesar de ter produzido um dos grandes veios polêmicos do século. Weber trabalhou sobre campos extraordinariamente diversos e sua influência acompanha essa diversidade, que vai do direito à sociologia da música, da história econômica à sociologia das religiões, da filosofia da ciência à política alemã. Conceitos como “tipo ideal”, “ação social”, “compreensão”, “autoridade”, “dominação”, “carisma”, “vocação”, “racionalidade”, “burocracia”, “estamentos”, “legitimidade” e muitos outros estão inteiramente orientados, na sociologia contemporânea, pela influência de Weber.

O peso das interpretações pioneiras de Weber, em especial por sua influência sobre toda a sociologia acadêmica mundial, aquela que veio da obra de Talcott Parsons, vem passando por ampla reavaliação crítica há quase cinco décadas. Os resultados dessa reavaliação, que incluiu um renovado interesse dos marxistas por sua obra, têm possibilitado – 90 anos após sua morte – o conhecimento de um Weber muito mais profundo e contemporâneo do que as primeiras interpretações poderiam fazer supor. Não é exagerado afirmar que sua influência, hoje, é comparativamente mais abrangente, mais sistemática e mais rigorosa do que em sua própria época ou em qualquer outra, não obstante manter sua característica de não formar escola. O propalado “weberianismo” é um contrassenso com a própria perspectiva científica de Weber, e o próprio Weber testemunha contra esse equívoco: “Na ciência, sabemos que nossas realizações se tornarão antiquadas em dez, vinte, cinquenta anos. É esse o destino a que está condicionada a ciência: é o sentido mesmo do trabalho científico… Toda realização científica suscita novas ‘perguntas’: pede para ser ‘ultrapassada’ e superada. Quem deseja servir à ciência tem de resignar-se a tal fato”.

A influência de Weber, apesar disso, ultrapassou seus próprios cálculos e merece uma reflexão porque é isso que ainda legitima o emprego de expressões como “weberianismo”. A ciência social carrega a bendita maldição filosófica de sua origem: a política. E como a filosofia e a política, o marxismo e a psicanálise, a sociologia precisa desenvolver-se renovando sempre suas relações teóricas com seus pais-fundadores: a reinterpretação das obras clássicas acompanha e indica esse desenvolvimento, tanto quanto os avanços obtidos nos campos substantivos (empírico e teórico). Não é impossível escrever uma história da sociologia com base na sucessão das reinterpretações de seus clássicos. Essas reinterpretações são tão inesgotáveis quanto sua tendência para avançar para além do que estava originalmente escrito, conferindo-lhe uma nova dimensão, só possível pelo avanço substantivo efetivamente realizado. O que define uma obra como “clássica” é exatamente isto: manter-se contemporânea.

A influência disseminada
Talcott Parsons, cuja obra dominou a sociologia norte-americana por mais de duas décadas (1950-1960) e exerceu – e ainda exerce (embora seja declinante) – influência sobre toda a sociologia acadêmica mundial, travou contato com a obra de Weber ainda nos anos 1930, na Alemanha. Sua tese de doutoramento versava sobre o conceito de capitalismo em Weber e Sombart, o que lhe permitiu preparar o terreno teórico sobre o qual desenvolveria, em 1937, uma original tentativa de síntese sociológica, a primeira elaboração de sua teoria geral da ação. O livro, um grosso calhamaço de mil páginas, intitulado Estrutura da Ação Social, dedicou quase um terço das páginas à interpretação parsoniana de Weber. No entanto, sua apropriação de Weber caracteriza-se pela ênfase posta sobre as normas e valores sociais, em função de sua preocupação em construir as bases de uma teoria da integração social. Se isso lhe permitiu aproximar Weber de Durkheim muito mais facilmente do que é efetivamente possível, facilitou, no entanto, uma apropriação da obra de Weber nos Estados Unidos que, além de incorreta e problemática, enfatizava excessivamente sua utilização conservadora. No entanto, a influência de Weber na sociologia norte-americana, até então pequena, pegou carona no funcionalismo parsoniano e cresceu, até que no fim dos anos 1960 a revisão interpretativa de suas contribuições começasse a ser feita, resgatando-o contra Parsons. Quanto a isso, o pioneiro foi C. Wright Mills, cuja obra reflete uma influência weberiana bastante diferente daquela encontrada em Parsons e sua escola.

Se Parsons procurou aproximar Weber do funcionalismo durkheimiano, Wright Mills fez a aproximação com a tradição marxista, extraindo daí não só uma interpretação, mas um efeito – em suas próprias obras – crítico e politicamente renovador. Mills foi praticamente uma voz isolada numa América conservadora e exposta ao maniqueísmo da Guerra Fria, e uma voz que se calou precocemente (ele morreu aos 47 anos, em 1961). Apesar disso, sua influência na renovação antiparsoniana da sociologia norte-americana dos anos 1970 deveu-se, em grande parte, à extração marxista de sua apropriação de Weber, que lhe permitiu enfatizar, ao contrário de Parsons, os conceitos de classe, de interesse e de conflito. No entanto, ao contrário daquele, Mills jamais tentou uma sistematização conceitual que lhe permitisse construir uma abordagem tão abrangente quanto a parsoniana. Por isso, sua contribuição terminou confinada à sua época.

Lukács, o grande pensador marxista, frequentou assiduamente o Círculo de Heidelberg, que se reuniu na casa de Weber por quase uma década. Nos dois últimos anos da vida de Weber, quando já se tornara marxista, Lukács, ainda sob sua influência, redige alguns dos trabalhos que vão compor seu livro mais célebre. Além de abundantes referências aos trabalhos de Weber, Lukács promove uma inusitada aproximação marxista com a problemática weberiana da “racionalização”, cuja influência posterior não deve ser negligenciada. Mannheim, que foi chamado de “marxista burguês” e de weberiano “marxista” (sic), escreveu suas principais obras entre as décadas de 1920 e 1940. Sua influência, particularmente no campo da sociologia do conhecimento, é decisiva, e tão grande quanto sua pretensão de construir uma ponte entre Weber e Marx que resolvesse algumas das antinomias postas por essa relação. Sua influência sobre Mills permitiu a este se apartar da todo-poderosa interpretação parsoniana de Weber. Do mesmo modo, sua obra permitiu aos funcionalistas manter uma porta aberta ao marxismo (pelo menos nessa área da “sociologia do conhecimento”), como no estudo de Robert K. Merton sobre sociologia da ciência.

No pós-guerra, a influência de Weber alastra-se pela Europa e pela América. Raymond Aron, na França, forja o conceito de “sociedade industrial” e se apoia em Weber para criticar o marxismo. Ralf Dahrendorf, na Alemanha, sob forte influência weberiana, revisa o conceito de classe e, como Aron, substitui capitalismo por “sociedade industrial”, para enfatizar a dimensão mais abrangente (principalmente política) dos conflitos sociais do capitalismo tardio. A sociologia inglesa renova-se com a influência de Weber, principalmente nas obras de John Rex, J. Goldthorpe, David Lockwood, Frank Parkin e Anthony Giddens. Na França, Michel Crozier e Alain Touraine estudam a burocracia e a classe trabalhadora em aberto diálogo com as hipóteses weberianas, e Pierre Bourdieu reinterpreta Weber em seus trabalhos de sociologia da cultura.

Apesar da forte influência de Parsons, a sociologia norte-americana reencontrou Weber de diversas maneiras, desde o pós-guerra até hoje. Obras muito importantes como as de Seymour M. Lipset, Reinhardt Bendix, Robert Bellah, Clifford Geertz, Randall Collins e S. Eisenstadt, entre outros, foram desenvolvidas em constante recuperação e reinterpretação das hipóteses weberianas. Tendências que aparecem na época da Guerra Fria, como a sociologia fenomenológica, a etnometodologia, a sociologia radical, o interacionismo simbólico, retomam Weber exatamente onde Parsons o havia recalcado: no seu “idealismo”, na sua “sociologia compreensiva” e nas minuciosas questões metodológicas.

Em compensação, o “materialismo” de Weber é recuperado pelo marxismo do pós-guerra, que antes lhe havia reservado a indiferença dogmática ou o ataque superficial. Essa indiferença não existiu nos clássicos do marxismo, mas tornou-se dominante no período stalinista. Kautsky, Bukhárin, Rosa Luxemburgo, Gramsci, Lukács e Max Adler citam Weber e quase sempre em apoio às suas próprias ideias. Mas o conhecimento da obra de Weber era ínfimo, se comparado ao que os marxistas contemporâneos passam a ostentar a partir dos anos 1960. A influência de Weber na Escola de Frankfurt é reconhecida e bastante significativa, principalmente na obra de Habermas. A crítica superficial foi abandonada e o rigor com que muitos marxistas reavaliam a obra de Weber não fica nada a dever ao ostentado pelos “weberianos”.

Uma verdadeira história das reinterpretações de Weber e de suas disputas teria, agora, que descer ao campo temático e conceitual. Acompanhar a disputa dos conceitos, a detecção de suas ambiguidades originais, o aparecimento de novos problemas sobre os escombros de problemas que pareciam resolvidos, enfim, teria de ser uma história da constante reatualização de Weber, como a feita brilhantemente por Wolfgang Schluter nas últimas décadas. Aqui entrariam, por exemplo, a penetrante e nem sempre admitida influência de Weber sobre as obras seminais de Norbert Elias e Michel Foucault, apenas para citar dois nomes que continuam em evidência. Naturalmente, isso não pode ser feito aqui. De qualquer modo, será feito por cada sociólogo, em sua área específica de atuação. Isso será inevitável sempre que se descobrir que o sociólogo “weberiano” se dedica a uma coisa “que na realidade jamais chega, e jamais pode chegar, ao fim”.

Quem foi

Max Weber é conhecido como um dos fundadores da sociologia moderna, ao lado de pensadores como Vilfredo Pareto (1848-1923), Émile Durkheim (1858-1917) e Georg Simmel (1858-1918). Seu pensamento é marcado por uma crítica do materialismo histórico, que, em seu dizer, petrifica as relações entre as formas de produção e de trabalho e as outras manifestações culturais da sociedade. Para ele, o pensador social deve estar disposto a reconhecer a influência que as formas culturais, como a religião, por exemplo, podem exercer sobre a própria estrutura econômica.Karl Emil Maximilian Weber nasceu em Erfurt, em 1864, em uma família protestante.A partir de 1869, instala-se com a família em Berlim. Seu pai foi deputado do Partido Nacional Liberal, e, graças a ele, Weber, desde cedo, teve contato com homens políticos e pensadores influentes que eram frequentemente convidados à sua casa.

O jovem Max, entediando-se na escola e tendo pouco contato com os colegas de sua idade, tornou-se um leitor insaciável. Suas leituras (Cícero, Maquiavel, Kant etc.) testemunham sua grande precocidade intelectual. Terminada sua formação básica, Weber inscreve-se na Faculdade de Direito de Heidelberg, seguindo igualmente cursos de economia política, filosofia, história e teologia.Em 1889, Weber conclui seu doutorado sobre o desenvolvimento das sociedades comerciais nas cidades italianas da Idade Média. Em 1891, termina o trabalho A Importância da História Agrária Romana para o Direito Público e Privado, que o qualifica para ser professor na universidade. Esses anos foram decisivos na formação de Max Weber, porque o fizeram se interessar pelos problemas sociais de sua época.Aos 29 anos, em 1893, assume o cargo de professor de história do direito romano e de direito comercial na Faculdade de Berlim. Casa-se com Marianne Schnittger, ícone da causa feminista e intelectual engajada em questões políticas. Ela terá um papel decisivo na edição da obra de Weber, supervisionando principalmente a publicação dos escritos póstumos de seu marido, em especial de sua obra magna Economia e Sociedade.

De 1897 a 1903, Weber sofre de uma grave depressão nervosa, sendo obrigado a interromper seu magistério. Em 1903, retomando suas atividades intelectuais, reorienta suas pesquisas para a sociologia. É nesse contexto que ele publica A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. Em 1909, funda a Sociedade Alemã de Sociologia.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Weber inicia a redação de seu vasto projeto de sociologia comparada das religiões mundiais. Em 1919, muda-se para Munique, a fim de ocupar a cátedra de sociologia que a universidade havia criado especialmente para ele. É nessa ocasião que ele pronuncia duas de suas mais conhecidas conferências: “A Ciência como Vocação” e “A Política como Vocação”. Morreu subitamente em 1920, em consequência de uma pneumonia mal tratada.

Michel Misse é professor de sociologia da UFRJ

(14) Comentários

  1. A verdade é como teorias tão antigas podem hoje ser tão atuais na aplicabilidade e na necessidade.Admirável Weber

  2. Nunca li uma interpretação de Weber com tanta propriedade e poder de síntese. As correlações com Marx, Freud, Focault, entre outros, me pareceu de uma coerência raramente vista em muitos meios acadêmicos.
    Parabéns ao Mestre Michel Misse.
    Continue nos presenteando com o seu conhecimento, para que nossa sociedade seja um exemplo cultural a ser seguido, no plano da competência.
    Obrigado.

  3. Boa noite, professor.
    Belíssimo texto. Nunca havia pensado sobre o uso do termo “weberianismo” como sugeriu.
    Não sou formado em sociologia, mas em História, mas usei muito das idéias de Weber nos trabalhos que desenvolvi. Confesso que ainda é muito difícil ler esse autor sem alguma ajuda de quem o interpretou.
    Sempre que faço alguma interpretação sobre o que escreveu corro para perguntar para algum outro livro weberiano (acho que nesse caso o termo serve) ou professor se minha conclusão é ou não plausível.
    Enfim, observando a forma como conduziu seu texto, faço esse comentário para dar uma sugestão: escreva algo semelhante sobre o Tocqueville. É um autor que é muito lido e discutido, porém muito mais quando se fala sobre democracia. Não creio que o limite de suas idéias (mesmo tendo escrito pouco) seja apenas esse. Há muitas discussões sobre a acomodação dos grupos políticos nos processos de mudança de regime, por exemplo. Isso é, ao meu ver, uma discussão fundamental. Não sei se estou exagerando, pois sou um mero neófito nesse assunto, mas o que é estudado por esse autor é uma espécie de antítese da Revolução.
    Retire todo exagero empregado no que escrevi e talvez faça algum sentido.

    Abs.

  4. Companheiros desculpa a enorme ignorância mas quero entender alguns pontos básicos e pelo pouco que li de weber para ele o comportamento capitalismo teria berço formação presbiteriana em específico no Calvinismo, correto?
    Julgando como correto, o comportamento de formação de sociedades iniciado nos primórdios da humanidade como meio de proteção e prosperação do grupo, é uma característica simbólica à vontade nata do capitalismo de acumulo de riquezas, naquela época os braços…
    A prosperação do macaco nú não se deu da percepção de que quanto maior o grupo mais fácil era o seu desenvolvimento e que hoje quanto maior o acumulo, não de individuo, mas de renda nao traz um aspecto semelhante a este ancestral comportamento?

  5. Prof. Michel Missi (e Bruno Elisei),

    A questão: existe uma “escola weberiana” ou uma “sociologia weberiana”?

    Depende do foco que queremos dar a questão. É preciso separar idelogia de teoria sociológica. Por exemplo, Marx (e um pouco Freud) criou ao mesmo tempo uma doutrina (ou ainda, uma teoria sociológica) e uma ideologia.

    Max Weber não criou nenhuma ideologia. Porém, é evidente que Weber desenvolveu uma teoria sociológica. Neste sentido, é claro que se pode falar numa “escola weberiana”. O autor do texto fez uma boa descrição de alguns weberianos importantes. Mas seria relevante apontar alguns autores weberianos do Brasil (dois exemplos: Raimundo Faoro e Simon Schwartzman).

    Por último, no “perfil biográfico” é citada a obra “A Ética Protestante …”, certamente este é um livro importante, todavia a obra mais importante de Max Weber é “Economia e Sociedade”.

    Sobre o comentário do Bruno Elisei:
    O entendimento é que, para Max Weber, a ética protestante é uma das causas da expansão do capitalistmo (as causas do surgimento do capitalismo e sua estruturação, são outras).

  6. Olá a todos/as,
    Creio que Haroldo tocou o ponto ao diferenciar “doutrina (ou ideologia) de teoria e de “escola” no sentido de tradição teórica.
    A Raimundo Faoro e Simon Schwartzman eu acrescentaria, s.m.j, Gabriel Cohn.
    Abraços

  7. Weber nos diz que a sociologia pode caminhar mais. A interpretação não deve cessar na ideologia, em um esquema formal de forças sociais. Nem tão pouco de forças externas aos atores. HOje vemos nas interpretações de Bourdieu e Habermas a força de Weber na tentativa de mostrar relações sociais, muito mais do que um princípio ou aquilo que o estruturalismo acabou engessando nas descobertas de leis da vida social. As contribuições de Schutz falam da linguagem, enquanto Blumer expande a ação social para as interações mais individuais. Weber explora concepções essenciais para pensarmos a vida social.

  8. Analisar o contexto social a partir do individual é o que faz de Max Weber, um autor diferenciado. Pois, é do contexto individual de cada um que se constitui o o grande estado denominado de sociedade. A mutabilidade conceitual e a ação ideal, são premissas básicas para um pensamento weberiano. A crítica ao materialismo histórico marxista é uma das mais celebres exposições que weber nos traz, a doutrina da unilateralidade radical.

  9. Max Weber considerado como filósofo social: umas das célebre obra da weber foi a ética protestante e o espirito capitalista : na qual trata da religião de modo particular o protestantismo sob a forma do pietismo como pressuposto para o surgimento do capitalismo um dos fatores que colaboraram para isso foi o ascetismo puritano ,a doutrina da predistinação, que alguns são predestinados para a salvação e outro para a condenação , então como o crente sabe que é o eleito de Deus ,esta resposta é dada a partir de que alguns são abençoados por meio dos bens economico então quanto mais bem sucedido materialmente mais são agraciado por Deus .

  10. Outro fator importante de Weber é a sua definição de ética que deriva da influencia de kant ,no qual weber tematiza a ética em dois fatores ou aspectos a ética de convicção e a ética de responsabilidade ,a primeira diz respeito , ação que tem como finalidade e pressuposto na propria ação em si mesmo, sem objetivo de conseguir algo, mas agir por ideal ou convicção .weber da um exemplo do revolucionario e do comandante do navio mesmo diante do naufrágio permanece no navio.outra etica é a ética de responsabilidade onde ação é norteada com base na finalidade de conseguir algo neste sentido assemelha-se ao capitão da tropa de guerra que planeja e arquiteta a ação para ganhar a guerra,apesar que as duas ação são paradoxal, ambas se completam.

  11. a explicação é excelente sobretudo até a segunda parte. Na parte relativa à “disseminação” do Weber achei que o professor indicou a influência do socíologo alemão em alguns autores sem especificar como e que medida (J. Goldthorpe, David Lockwood, Frank Parkin e Anthony Giddens), ou seja, sem mais explicações. para quem conhece é óbvio, mas para quem está começando?
    @ Haraldo, acho complicado estabelecer uma hierarquia na obra de um autor, depende de como vai usar seus escritos. por exemplo, o Marx do 18 brumário é muito mais interessante para explicar a política contemporânea ou o estado moderno do que o Marx de “o capital”. eu pessoalmente, gosto muito da “questão judaica”. quanto ao Weber, saberia dizer qual é sua obra mais importante, no entanto considero seus conceitos de racionalidade e burocracia muito relevante para nossa época. Aliás, o professor Misse explicou sua influencia em Habermas

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