Escatologia bolsonarista

Escatologia bolsonarista
O que Bolsonaro e seus estrategistas quiseram com seu ato performático de atentado ao pudor? (Arte Andreia Freire/Revista CULT)

 

O sentimento de catástrofe política se apossa dos brasileiros. Depois que o presidente da República mostrou uma cena – que podemos definir como sendo de escatologia sexual -, no Twitter, o Brasil está estarrecido como nunca. O ato do presidente é complexo. Ele comete vários erros em um único ato, que vão do atentado ao pudor até a desqualificação de uma festa fundamental como é o carnaval para a imagem do Brasil em âmbito internacional. Faltar com o decoro exigido para o cargo é o que chama a atenção de alguns, mas não surpreende tantos outros quanto poderia porque muita gente não espera nada de bom do referido líder nacional. Hoje, há quem lhe atribua, além da burrice, da maldade e da óbvia e total falta de ética, características próprias a portadores de distúrbios mentais.

Seja ou não um distúrbio, a loucura – que é um conceito bem amplo – é cabível. O que é realmente loucura? Quem é o louco? A loucura bolsonarista, de qualquer modo, foi elevada à forma de governo. E ela provocará ainda mais danos ao Brasil a cada dia.

Infelizmente, a probabilidade desse ato político-midiático ter sido pensado e programado é imensa. O presidente não age sozinho. Ele tem seus assessores. Hitler também não agia só. Tinha Goebbels e outros ajudantes.

Bolsonaro foi atiçado pela hashtag #BolsonaroVaiTomarnoCu e resolveu mandar uma carga mais forte como resposta aos seus críticos. Uma queda de braço na qual ele quis apenas vencer. Se a questão é jogo de linguagem, no jogo da agressividade ele precisava mostrar que sabe ser pior do que qualquer xingamentozinho que as multidões possam lançar em sua direção. Quando Dilma recebeu um “vai tomar no cu” em um estádio de futebol, ela ouviu em silêncio como lhe cabia fazer na condição de Presidente que era. Quem não gostava de Dilma, não pode estar gostando de Bolsonaro.

O que Bolsonaro e seus estrategistas de mídia quiseram com seu ato performático de atentado ao pudor? Usar a força do cinismo em um momento em que o presidente era criticado com o objetivo de demonstrar força. O cinismo é método e, nesse caso, chegou a em um nível nunca antes imaginado. Mas Bolsonaro se tornou  presidente justamente buscando formas chocantes de aparecer, criando casos, polêmicas e se alavancando sobre minorias por meio de falas estarrecedoras. Ele não rompeu com nenhum limite nesse caso do vídeo. Ele simplesmente foi coerente com seu método. Aguardem, pois sempre que necessário virão mais e mais horrores ou choques para chamar a atenção ou perturbar a população desobediente.

A cada vez que o povo manifestar sua insatisfação, ele virá com algo pior. É a tática do choque. Se as elites dominantes terão ou não interesse em fazer o impeachment de Bolsonaro é algo que ainda não temos como prever. Nos jogos de poder que estão em cena, é preciso entender até onde ele é útil.

Mas não é só isso que precisamos ver. Temos que levar em conta o inconsciente. Minha hipótese é que o presidente (e sua turma) desejava profundamente participar do carnaval. E o fez por meio do vídeo escatológico. Todos sabemos que mensagens são complexas, mas nenhuma é livre de desejo. Algo se quer dizer quando se diz alguma coisa consciente ou inconscientemente, às vezes as duas coisas ao mesmo tempo. Às vezes o seu inconsciente está mais alinhado com seu consciente, às vezes ele te trai. Mas ele é o dono da verdade do desejo, aquela que não é alcançada pela pós-verdade, pelas mentiras e destruições produzidas por mistificadores de plantão.

O fascínio e a mistificação envolvendo o órgão anal é uma característica desse governo, de seus políticos e seus gurus. Mas isso é assunto para um outro momento em que possamos falar mais de Sexologia Política. Por enquanto deixemos que se exponham um pouco mais.


Leia a coluna de Marcia Tiburi toda quarta-feira no site da CULT

(13) Comentários

  1. Gostei do texto, concordo.
    Mas o que Coiso fez, vai totalmente ao contrario do que ele e os bolsominions pregam, Deus, Pátria e Familia,.
    Aflorou o falso moralismo dos fascistas e nazistas que são mestres em dissimular em seus discursos. Mais coisas piores virão, temos que ter capacidade e rapidez de contra-atacar em todos os níveis e em todas as instâncias., deixar de lado alguns conceitos e propagandas engessadas da nossa esquerda, dinamizar o marxismo.

  2. Nao gosto do Bolsonaro não concordo nem com o povo
    Queiram ou não ele e uma autoridade alem da palavra feia nogenta
    Mas o presidente de uma naçao fazer o que ele postou acho o fim da moral carater
    Onde estamos muito trista tristeza

  3. Que merda kkkkk
    Estão focando em quem postou e não no vídeo em si… Tem grupinhos q nos envergonham e mancham a imagem dos demais mas é Bolsonaro o pornográfico… ah tá senta lá, querida

  4. O Coisa nunca me enganou, pois desde de suas falsificações nas redes sociais durante a campanha das eleições bem percebi que já havia algo errado com ele e seus apoiadores. Pode ser que venha algo de bom de seu governo, mas…….O que esperar de bom de alguém que se serve de mentiras para poder chegar ao poder?

  5. A Cada dia é mais necessário que tenhamos a filosofia próxima e ao alcance do povo. Márcia tem incomodado, assim como Jean e Anderson França, também exilados. Eles são a tricas de ases, e que mesmo longe de suas casas, continuam sendo o pedregulho no sapato dos Bolsonaros Milicianos e sua matilha de hienas burras . Precisamos dar o valor a esses heróis da resistência.

  6. Quem é hoje herói da resistência? Que resistência?!.Affff
    Sabemos sim que por trás da milícia há políticos. Mas ninguém é mais culpado que a própria população brasileira, com mentes escravizadas, manipuladas pela mídia e pela politica. Somos marionetes dos grandes líderes obscuros por trás.

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