Dossiê | Sexologia política

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Dossiê | Sexologia política
Sexo é um objeto de poder, ou até mesmo uma forma de poder (Arte Andreia Freire/Revista CULT)
  O sexo, por tanto tempo perseguido e demonizado, tantas vezes falado e pesquisado, vem sendo deixado de lado em muitas análises que se beneficiariam de uma atenção maior ao seu âmbito. Tornado algo banal e corriqueiro, presença cada vez mais comum nos programas e novelas de televisão, o sexo vem sendo subestimado em nossa vida social. É como se, de tanto aparecer, ele tivesse perdido a sua força. Ninguém mais quer saber de sexo. Todo o interesse que havia no sexo dos jovens, dos casais, dos burgueses, das mulheres, dos religiosos, dos amantes deixou de ser importante diante de um único tema, a perversão da pedofilia. Hoje em dia só se fala em pedofilia. Como se tudo o que diz respeito ao sexo estivesse bem, exceto a pedofilia. A propósito, seu uso estratégico na campanha presidencial brasileira, com a fabricação de uma imagem perversa de uma “mamadeira em forma de pênis”, se não chegou a substituir o uso estratégico dado à corrupção na fabricação de inimigos, certamente reforça a ideia de que a esquerda é o mal. A estratégia dos grupos que criaram essa mamadeira e  dedicam-se a sustentar a mentira do “kit-gay” segue sem limites ao imaginário voltado à produção de uma narrativa da perversão da esquerda. A esquerda corrupta e pedófila é traduzida para o cidadão comum como a imagem do mal. Resta, a quem tiver tempo, divagar sobre o uso que se deu a esse objeto pornográfico em posse dos adultos que o inventaram. A questão da pedofilia é das mais sérias e graves. Ela representa um limite para a compreensão, sobre

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