Camus, amor e vertigem

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Camus, amor e vertigem
Em 1945, na Ilha de Saint-Honorat, Riviera Francesa (©Collection Catherine et Jean Camus)
  Muito já se disse que Albert Camus – sempre envergando capa de gabardine e com cigarro pendente dos lábios – compunha uma persona semelhante a Humphrey Bogart. Mas o que pouco se sabe é que o escritor protagonizou uma cena digna de Casablanca, filme de 1942 em que o ator norte-americano vive uma história de amor cujo início se dá em Paris ao som dos canhões nazistas. Em 6 de junho de 1944, no mesmo dia em que os Aliados desembarcavam na Normandia, deflagrando a ofensiva final contra os exércitos de ocupação alemães, Camus começava, também em Paris, um relacionamento amoroso com a atriz espanhola Maria Casarès que duraria até sua morte. Há no episódio outras ressonâncias, embora desencontradas, do longa-metragem de Michael Curtiz. Editor do jornal clandestino Combat, Camus participava ativamente da Resistência – assim como o marido de Ilsa Lund, a personagem de Ingrid Bergman por quem se apaixona o cínico Rick, interpretado por Bogart.  E a própria Maria Casarès tinha envolvimento familiar com o movimento anti-fascista. Seu pai, Santiago Casares Quiroga, foi um dos últimos chefes de governo da turbulenta Segunda República espanhola. Em sua breve gestão (maio a julho de 1936), eclodiu a sublevação militar que deu início à Guerra Civil, levando o general Franco ao poder e a Espanha a mais de 40 anos de ditadura. De origem catalã por parte de mãe, Camus projetou sobre Casarès a profunda identificação que sempre teve com a Espanha. Seu primeiro texto autoral foi a peça Revolta nas Astúrias, criação coletiva basea

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