Uma forma para o universo interior

Uma forma para o universo interior
A poeta Yasmin Nigri: Escrita deu expressão a um universo interior que já, com a poesia, ganha vida fora de si (Foto Mariana Botelho)
  Palavras tão duras que atingem o interlocutor com o peso de bigornas. A imagem, nascida de uma conversa entre poetas, grudou na cabeça de Yasmin Nigri, 28, que decidiu assim batizar o seu primeiro livro de poesia, lançado em agosto pela Editora 34: Bigornas. “Quando li o livro pronto, senti que ele testemunhava uma formação carregada de uma experiência extrema de violência e solidão no mundo”, afirma a poeta carioca, publicada pela primeira vez no ano passado, na antologia 50 poemas de revolta (Companhia das Letras). Dividido em quatro partes – “Rua de ontem”, “Recibos”, “Mulher Malevich” e “Bigornas”, o livro resvala na experiência da frustração (já não há ombro/na medida do meu fracasso), da solidão (no calor do momento/escrevo coisas como/sinto-me sozinha e inútil) e da resiliência (já não tememos mais o silêncio/somos felizes/toda vez que nos esbarramos). A poeta também presta uma espécie de tributo a autores significativos na sua formação – estão lá Kafka, Angélica Freitas, E.E. Cummings, Pizarnik, Manoel de Barros. “Há momentos de leveza e delicadeza, claro, e se alguns poemas de Bigornas provocam o riso, isso se dá muito mais pela força da ironia e do cinismo diante da impotência do que qualquer outra coisa”, afirma. Poeta, artista visual, ensaísta, mestre em Estética e Filosofia da Arte, ela começou a se dedicar à poesia em 2015. Antes disso “escrevia apenas trabalhos acadêmicos e diários esparsos”. Colaboradora da revista eletrônica Caliban e cofundadora do coletivo de artes Di

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