O silêncio retumbante de Walter Hugo Khouri

Edição do mês
O silêncio retumbante de Walter Hugo Khouri
Walter Hugo Khouri durante as filmagens de 'As filhas do fogo', em 1978 (Foto: Acervo família Khouri)
  As melhores mentes da arte parecem condenadas ao esquecimento, certamente por conta da demanda utilitarista que consome poéticas densas e as substitui por um regozijo raso e imediato. No cinema, essencialmente um produto da comunicação de massa, essa condição do sucateamento da memória é explícita. Se por um lado novos artífices se revelam a cada ano, com seus trabalhos crivados de uma identidade própria, por outro, figuras de renome que abriram caminhos às novas gerações parecem diluídas na ingratidão historicista. Em 2019, o cineasta paulista Walter Hugo Khouri completaria 90 anos. Mas até o mais dedicado estudante de cinema, hoje, perguntará: “Quem foi ele?”. A despeito de novas pesquisas que resgatam e reinterpretam a história do cinema brasileiro, a poética de Khouri amarga um ostracismo virtual imposto por anos de uma análise superficial de sua trajetória. Considerado cerebral e elitista, o cineasta é dono de uma das obras mais complexas, instigantes e plurais do cinema mundial, influenciadas pelo que de melhor houve na produção de filmes de vanguarda. “Os filmes se fazem através de mim. Não sou eu quem os faço”. Assim falava Walter Hugo Khouri, que estudou filosofia na USP, mas em vez de concluir seus estudos no extenuante ambiente acadêmico, optou por migrar sua percepção da aridez existencial para as telas do cinema. No início dos anos 1950, quando a cena paulista acumulava alguns dos melhores e mais ambiciosos estúdios, a saber, Vera Cruz, Cinematográfica Maristela e outros, o diretor debutou com uma produção j

Assine a Revista Cult e
tenha acesso a conteúdos exclusivos
Assinar »

TV Cult