O último capítulo

O último capítulo
(Arte Andreia Freire)
  Para muitos, o Brasil parece ter se transformado em uma incógnita. Um país que, depois de elevado pela imprensa mundial à condição de potência emergente, virtual quinta economia do mundo, vê-se agora como um território em desagregação acelerada. Um país completamente à deriva. Para outros, ele simplesmente expressa atualmente, de forma mais brutal, os impasses de um processo que deve ser compreendido em sua dinâmica global. Reconstruir o sentido desta dinâmica global é condição necessária para entendermos como um país pode chegar a impasses tão espetaculares em um prazo tão curto de tempo. Pois a história brasileira é, na verdade, o último capítulo de outra história. Ela é o setor mais influente da história latino-americana e esta, por sua vez, está vinculada nessas últimas décadas à ascensão da esquerda ao poder. De fato, a experiência da esquerda latino-americana no governo nestes primeiros anos do século 21 foi o último capítulo da história da esquerda mundial no século 20. O que podemos chamar de “experiência latino-americana de governo de esquerda” presente nos últimos vinte anos em países como Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Equador, Venezuela, Nicarágua, Peru, El Salvador, Haiti e Honduras foi o término de uma longa história mundial marcada pela tentativa de consolidar políticas redistributivas, regulação dos agentes econômicos e fortalecimento de poder popular. Que esta história tenha encontrado na América Latina um de seus terrenos fundamentais, eis algo a ser creditado a um

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