Um movimento entre arte e vida

Um movimento entre arte e vida
(Arte Andreia Freire)
  Guy Debord, após integrar o grupo poético Letrista de 1952 a 1956, liderou a Internacional Situacionista, que publicou doze números da revista IS, de 1957 a 1972. Esse movimento visava à convergência entre o intento vanguardista de embaralhar arte e vida, e a teoria e prática revolucionária marxista: “Nossa época não deve mais escrever instruções poéticas, mas deve realizá-las” (IS, n. 8). Sua atração residia na singular aliança entre o espírito utópico das vanguardas artísticas e sua realização pelo movimento operário. Se de início houve efetiva colaboração entre Debord e artistas como o pintor dinamarquês Asger Jorn, o pintor e o arquiteto holandês Constant (Jorn e Constant participaram do grupo COBRA, entre 1948 e 1951) e o pintor gestual italiano Pinot-Gallizio, as divergências, no entanto, sobre a função política da arte e a vocação revolucionária do proletariado logo levaram esses artistas a abandonar o grupo. Para compreender o movimento situacionista, com suas divisões internas, é necessário, por esses motivos, recuperar sua relação com certa linhagem literária e com a arte de vanguarda dos anos 1910 e 1920. Em texto de 1966, Guy Debord afirmava a propósito da relação entre arte e revolução que “o proletariado que já era no século 19 o herdeiro da filosofia” tornava-se agora, além disso, o herdeiro de certa literatura, “da arte moderna e da primeira crítica consciente da vida cotidiana”; de tal maneira que ele não poderia “se suprimir sem realizar, ao mesmo tempo, a arte e a filosofia”. No ca

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